O juiz que voltou para abalar o sistema

O juiz que  voltou para abalar o sistema
Margarida Davim 27 de setembro

Esteve 10 anos fora da magistratura. Começou a tomar posições públicas contra o confinamento e pediu para voltar a ser juiz. Esteve em funções menos de um mês antes de ser suspenso e ainda não parou de provocar polémicas.

Até há pouco tempo Rui Fonseca e Castro era um perfeito desconhecido em Vila Nova de Milfontes, para onde se mudou depois de voltar à magistratura. Tanto que, depois de insistir em entrar sem máscara no centro de saúde local, um idoso que assistia à discussão gerada com uma funcionária comentou. “Já parece o juiz de Odemira.” E era. Só que ninguém o conhecia.

Na verdade, o agora famoso “juiz de Odemira” pouco parou por lá. Tomou posse a 2 de março deste ano e dias depois anunciou que ia sair para ir buscar a mulher, a alemã Isabel Stodden, que estava em Nuremberga. “Tomou posse e foi-se embora nesse dia”, conta uma advogada de Odemira. A ausência valeu-lhe as faltas injustificadas que desencadearam o processo disciplinar que deve ter decisão final no dia 7 de outubro, no próximo plenário do Conselho Superior da Magistratura (CSM).

Uma vida de mala às costas
Rui tem passado a vida de mala às costas. Nasceu em Luanda dois dias antes da Revolução dos Cravos, mas já fez o liceu na Penha de França, em Lisboa, na Escola Secundária Patrício Prazeres. Ser um filho de Abril não o fez, porém, olhar com entusiasmo para os capitães que derrubaram a ditadura. “Agora parecem uns bonacheirões. Convém lembrar que foram eles, entre outros, quem tentou instalar um regime comunista totalitário em Portugal, culminando com o 25 de Novembro de 1975”, escreveu no Facebook no 25 de Abril de 2016, sobre uma imagem de Otelo Saraiva de Carvalho e de Vasco Lourenço.

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