Mulher no Governo? "Para compor o orçamento. A filha, para suspender a mesada"

Mulher no Governo? 'Para compor o orçamento. A filha, para suspender a mesada'
Alexandre R. Malhado 27 de março de 2019

Aos olhos dos politólogos ouvidos pela SÁBADO, as nomeações familiares acontecem devido a um primeiro-ministro que escolhe a sua equipa mediante a confiança pessoal e a uma "cultura de impunidade".

O ministro das Infraestruturas e Habitação está casado com a chefe de gabinete do secretário de Estado Adjunto dos Assuntos Parlamentares, que é marido da diretora do Fundo para a Inovação Social. Já o ministro da Administração Interna está casado com a ministra do Mar, enquanto o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, que é irmão da secretária-geral adjunta do PS, é marido da Adjunta do primeiro-ministro. E os casos continuam, numa lista extensa de laços familiares dentro do Governo. Aos olhos dos politólogos ouvidos pela SÁBADO, o fenómeno acontece devido a um primeiro-ministro que escolhe a sua equipa mediante a confiança pessoal e a uma "cultura de impunidade".

"Esta cultura explica-se por uma sociedade civil adormecida (ou inexistente), pela ausência completa de oposição (à esquerda e à direita) e por um jornalismo de opinião que é, ele próprio, um caso de promiscuidade terceiro-mundista (basta lembrar o número de políticos que comentam políticos)", explica João Pereira Coutinho à SÁBADO. Já para António Costa Pinto, a questão centra-se na figura do primeiro-ministro, que é "todo-o-poderoso": "[António Costa] seleciona a sua elite ministerial em função da sua confiança pessoal.

"Os primeiros-ministros têm uma margem quase total na escolha dos seus partidos. O partido interfere pouco, o Parlamento interfere pouco e o Presidente da República interfere quando há responsabilidade política, como foi Marcelo Rebelo de Sousa com os incêndios ou Jorge Sampaio com Armando Vara", salienta Costa Pinto. 

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