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Luís Neves: como um monte alentejano e um atrelado mancharam o ministro favorito dos portugueses

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O ministro da Administração Interna está há uma semana debaixo de fogo devido a várias decisões relacionadas com a empresa Construbarcelos.

Luís Neves esteve 30 anos na Polícia Judiciária (PJ), oito dos quais como diretor nacional. Foi sempre descrito como competente e justo. E até há poucas semanas era esta a ideia que os portugueses tinham do atual ministro da Administração Interna, tendo-o mesmo elegido como "o ministro mais popular", segundo um barómetro do . Mas depois surgiu a notícia do monte alentejano e um desdobrar de polémicas relacionadas com este que podem levar à sua saída do Governo (ou até algo mais grave).

O ministro da Administração Interna, Luis Neves
O ministro da Administração Interna, Luis Neves MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O monte alentejano

O caso que envolve o atual ministro da Administração Interna começou com uma notícia do jornal Nascer do Sol, que revelava que o governante contratou a título pessoal um empreiteiro que realizou várias obras para a PJ enquanto Neves era diretor nacional daquela polícia.

Em várias entrevistas, o ex-diretor da PJ explicou que mais de 70% dos contratos com a PJ foram celebrados entre 2019 e 2022, quando ainda não conhecia o empresário. O conhecimento aconteceu apenas em 2024 e Neves garante que todas as adjudicações posteriores foram apenas extensões de contratos anteriores e não novas obras.

No total, a PJ fez 17 adjudicações de obras à empresa Construbarcelos, no valor global de 2,3 milhões de euros, entre 2019 e 2025. E foi em 2024 que Luís Neves e a sua mulher, que detém a sociedade unipessoal ALCampos, entregaram as obras particulares no monte em São Teotónio à empresa de João Carvalho.

De acordo com faturas enviadas por Luís Neves ao jornal https://expresso.pt/sociedade/2026-07-16-uma-piscina-onde-nunca-houve-um-tanque-terreno-de-luis-neves-esta-em-zona-protegida-44d1c41aex, as faturas emitidas à sociedade ALCampos Unipessoal Lda pelo material e execução das obras pelo empreiteiro João Carvalho abrangem o período entre 7 de fevereiro de 2024 e 26 de junho de 2026.

“As obras são três paredes, uma casa de banho com sete metros quadrados, e um alpendre e um tanque que foi feito. É disto que estamos a falar”, contou em entrevista Luís Neves no passado domingo.

A falta de alvará e o tanque que afinal é uma piscina

Mas estes contratos foram apenas a ponta do icebergue À medida que se ia desfiando o novelo, começaram a surgir novos contornos do caso. A SÁBADO avançou que a para obras ativo atualmente, o que impede que possa proceder com as obras na casa do ministro Luís Neves ou em qualquer outra obra em que esteja envolvida. O alvará da empresa caducou em março deste ano.

Na segunda-feira, a TVI revelou que o ministro da Administração Interna não tinha pedido licença nem feito comunicação prévia à Câmara Municipal de Odemira sobre a realização das obras no tanque que, imagens aéreas, mostram ser na verdade uma piscina.

Luís Neves chegou a referir que tinha construído um tanque no monte. Porém, trata-se de uma piscina que, por ser uma obra urbanística, precisa de licença. Mas, segundo fonte oficial da autarquia de Odemira, "não foi possível encontrar qualquer processo de licenciamento/comunicação de obras" para o monte do ministro em São Teotónio.

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Já o avançou que a propriedade em São Teotónio onde o ministro da Administração Interna fez uma piscina, está inserida numa área onde é proibido construí-las sem autorização. O terreno tem 4250 metros quadrados e surge simultaneamente como Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN) na Planta de Ordenamento do Plano Diretor Municipal (PDM) de Odemira. Isso significa que Luís Neves não poderia ter construído uma piscina ali sem pedir autorização (que seria difícil de obter, segundo o semanário).

O atrelado apreendido

Ainda a semana passada, na quinta-feira, a CNN Portugal avançou que a Polícia Judiciária tinha encontrado uma galera que tinha sido apreendido numa operação antidroga atrelado a um camião da Construbarcelos. A galera permaneceu no terreno de João Carvalho até há poucos dias. Foi aí que, na última terça-feira, a PJ localizou o atrelado, de onde o removeu e ficou de novo com a sua guarda. A PJ localizou a galeria após a sua direção nacional ter tomado conhecimento, em 14 de julho último, de que esse atrelado fora movimentado e parqueado em Barcelos.

Segundo a RTP, esse atrelado estava nas instalações da Autoridade Marítima que terá pedido à PJ que retirasse aquele veículo da marinha por incapacidade de o manter. Depois de uma consulta pública por parte da PJ, João Carvalho, da Construbarcelos, ter-se-á oferecido para transportar o veículo.

Nesta sexta-feira, a PJ confirmou oficialmente a abertura de um inquérito a este caso, que já foi comunicado ao Ministério Público. "Tratando-se de um bem apreendido, o mesmo foi removido do local e ficou novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a mesma carregava", afirma a PJ num esclarecimento enviado às redações. No mesmo comunicado, esta polícia adianta ainda que as substâncias que se encontravam no interior do veículo “não têm natureza estupefaciente".

As circunstâncias que rodearam a deslocação da galera para Barcelos encontram-se a ser investigadas no referido inquérito, o qual foi comunicado ao Ministério Público.

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