Especial

Jorge Sampaio: a família, os casamentos e as lutas políticas

Tiago Carrasco 15 de setembro

A família burguesa judia, a relação conturbada com o irmão, as paixões e os casamentos, as guerras com Guterres, Sócrates e Marcelo. As últimas semanas de vida.

Assim que foram anunciados os resultados da sondagem à boca das urnas, Jorge Sampaio, projetado como vencedor das eleições presidenciais de 14 de janeiro de 1996, dirigiu à mãe, Fernanda Branco, as suas primeiras palavras enquanto virtual Presidente da República: "We did it!" "Conseguimos", em inglês. A imagem de um político ruivo e de pele muito branca a festejar a vitória na língua de Shakespeare poderia transportar-nos para um sufrágio na Grã-Bretanha. Não, era no Hotel Altis, em Lisboa, quartel-general das hostes socialistas nas noites eleitorais, e Sampaio limitou-se a falar com a sua progenitora no idioma que os uniu desde o seu nascimento.

Fernanda Branco viveu em Londres durante seis anos quando o pai, Fernando Augusto Branco, avô de Jorge, foi adido militar da Embaixada Portuguesa (viria a ser ministro dos Negócios Estrangeiros no início da ditadura) e deu ao seu filho mais velho uma educação anglo-saxónica: "Até à morte dela comunicaram metade em inglês, metade em português, o que fez com que fosse bilingue desde criança", afirma José Pedro Castanheira, autor de Jorge Sampaio – Uma Biografia. "Costumavam dizer-lhe que falava melhor em inglês do que em português, algo que ele detestava."

A família materna tinha origem judaica, um clã antigo, expulso de Espanha pelos reis católicos e retornado à Península Ibérica usando o apelido Bensaúde. A mãe de Sampaio cresceu num meio  burguês, na Av. Duque de Ávila, no centro de Lisboa, mas os cabelos cor de fogo vieram do ramo paterno, minhotos de origem celta.

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