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Os dias e as noites das facas longas

Tiago Carrasco 15 de setembro

Sócrates, Vara e Guterres não o pouparam no PS. Entrou em guerra com Belmiro de Azevedo por causa do Colombo, vetou Marcelo para comissário da Capital da Cultura e Esteves Cardoso acusou-o de ser alcoólico.

Para derrotar a coligação PSD/CDS/PPM, encabeçada por Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio precisava do apoio dos comunistas – a CDU tinha conseguido 27% dos votos nas últimas autárquicas contra apenas 18% do PS. Mas semelhante acordo nunca tinha formalmente existido. “Cunhal e Sampaio tinham uma relação de grande respeito e conseguiram entender-se”, diz Rui Godinho, que era o cabeça de lista do PCP em Lisboa.

O primeiro encontro realizou-se secretamente em casa de um tio de Zita Seabra, perto do aeroporto; Cunhal percebeu que a aliança era a única forma de derrotar a direita e ascender à esfera do poder. “Assim que falei com Sampaio vi logo que nos íamos entender bem. Acertámos a composição das listas, que tinham nomes do PS e do PCP intercalados. Sampaio seria o cabeça de lista, eu seria o nº 2, João Soares (PS) o nº 3, José Saramago (PCP) presidiria à assembleia municipal”, recorda Godinho.

O acordo da coligação “Por Lisboa” teve como um dos signatários António Costa, que posteriormente viria a replicar a união à esquerda – apelidada de “geringonça” – ao nível nacional: “Ele aprendeu muito com as nossas negociações”, diz Godinho.

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