Inspecção de Finanças suspeita de encobrir irregularidades na Cruz Vermelha

Inspecção de Finanças suspeita de encobrir irregularidades na Cruz Vermelha
Carlos Rodrigues Lima 12 de dezembro de 2018

Principais alvos da investigação da Judiciária são o inspector-geral, Vítor Bráz, e a subinspector-geral, Isabel Silva. SÁBADO divulga conclusões do relatório da IGF que estão na origem do processo

Tudo terá começado no relatório 2016/1463 da Inspecção Geral de Finanças que investigou a conformidade das subvenções públicas à Cruz Vermelha, assim como o seu modelo de organização e funcionamento. No documento, a que a SÁBADO teve acesso, são elevadas várias irregularidades na instituição de utilidade pública, nos subsídios por ela recebidos e os inspectores chegaram mesmo a falar no "melindre" das relações entre a CVP e o Ministério da Defesa. Apesar das notas dos inspectores, o relatório não terá seguido o seu caminho normal, ficando no poder de Vítor Brás e Isabel Silva, inspector-geral de Finanças e subinspectora, respectivamente. Depois de uma série de denúncias, a Unidade Contra a Corrupção da Polícia Judiciária lançou, esta terça-feira, uma vasta operação de buscas, recolhendo vários documentos e ficheiros informáticos.

Numa nota divulgada terça-feira, o Ministério Público adiantou estar em curso uma investigação por suspeitas de corrupção passiva, peculato e abuso de poder sobre "altos responsáveis centrais da Administração Pública do Estado". Segundo informações recolhidas pela SÁBADO, além de outras suspeitas, a principal linha da investigação prende-se com uma espécie de protecção dada à Cruz Vermelha, presidida, desde Outubro de 2017, por Francisco George, ex-director geral da Saúde.

Na mesma nota, o Ministério Público adiantou estar a investigar "responsabilidades individuais de dirigentes da administração pública da área de serviços com a missão designadamente do controlo financeiro e fiscal do Estado, da área ministerial, incluindo uma Instituição humanitária de utilidade pública e uma empresa privada – tendo em conta os indícios da prática de actos ilícitos em procedimentos concursais, em acções de fiscalização que lesaram gravemente o Estado nos seus interesses financeiros -, tendo como contrapartidas benefícios individuais dos visados".

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