Saúde

Doentes crónicos ficam para trás. "Vamos dizer aos diabéticos: o que é prioritário é a Covid?"

Doentes crónicos ficam para trás. 'Vamos dizer aos diabéticos: o que é prioritário é a Covid?'
Lucília Galha 24 de novembro

O presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar, Nuno Jacinto, alerta para as consequências de se continuar a descurar os doentes crónicos, porque uma coisa é um atraso de dois ou três meses, "outra é parar dois anos". E considera que não se podem continuar a usar as mesmas soluções do início da pandemia.

Acontece constantemente, por vezes de um dia para o outro. Teresa Palminha, 63 anos, médica de medicina geral e familiar, perde a conta às vezes que desmarca consultas. "Passo a vida a fazê-lo, porque se estou num sítio não posso estar no outro e as escalas vêm tarde e más horas e quando vou ver, afinal, estou escalada para amanhã", descreve. Fala da tarefa da vacinação – ainda covid e agora juntamente com a gripe –, que continua a mobilizar os profissionais dos centros de saúde.

Se tem consultas atrasadas? A resposta é assumida: "Claro, mas agora é preciso ir para a vacinação", diz, resignada. Ainda na passada quarta-feira, 17 de novembro, a especialista, que trabalha na Unidade de Saúde Familiar Amora Saudável, esteve 13 horas e meia no polo de vacinação. "A covid é um problema grave, mas também serve de desculpa para muita falta de organização e de programação no Serviço Nacional de Saúde", diz à SÁBADO.

Fala da falta de recursos, sobretudo humanos (pessoas), mas também materiais – "estivemos dois meses sem telefones, vários meses sem luvas descartáveis e neste momento não há toneres", enumera –, mas também da maior afluência dos doentes e da incapacidade dos centros de saúde para lhes responder. E das consequências que, aos poucos, já se vão sentindo – daquilo que ficou para trás por causa da covid.

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