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Demissões no PS de Gaia em protesto com escolha do candidato autárquico. "É um egocêntrico"

Sofia Parissi
Sofia Parissi 09 de julho de 2025 às 07:00
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Paulo Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, pediu a desfiliação do PS a quatro meses das eleições autárquicas. "Não me revejono atual candidato [João Paulo Correia]. Percebi que era mais do mesmo, é um egocêntrico", diz à SÁBADO.

As demissões no PS de Vila Nova de Gaia começaram no início do mês, com a desfiliação de Paulo Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada. "Já tomei essa decisão há mais de um mês. Diziam que eu já estava com a candidatura de Luís Filipe Menezes, ele nunca me contactou e eu nunca falei com ele. Não estive na apresentação [da candidatura]", diz àSÁBADO.

Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images

Neste momento, concorre à presidência da Câmara de Vila Nova de Gaia o ex-presidente da autarquia Luís Filipe Menezes; o ex-secretário de Estado do PS João Paulo Correia; o investigador e artista André Araújo, da CDU; e Daniel Gaio, do Volt. Paulo Lopes, que irá continuar à frente da junta de freguesia até outubro, salienta que foi militante do PS durante mais de 20 anos e "bateu com a porta" por não se rever com o atual PS "e em particular com o PS de Gaia". Na base da desvinculação estará também a candidatura de João Paulo Correia à câmara de Gaia. 

"Não me revejo com o atual candidato. Percebi que era mais do mesmo, é um egocêntrico, ninguém o conhece, é pouco ligado às pessoas e é um vaidoso disfarçado". Sobre a continuidade na vida política ou o apoio a candidatos concorrentes, o autarca garante que não fará parte de qualquer projeto político: "Sou natural da Covilhã, mas não vou enveredar pela política no meu concelho. Tenho projetos pessoais, se calhar será por aí o meu rumo", conclui Paulo Lopes, que está neste momento a cumprir o seu terceiro e último mandato.

A Comissão Política Concelhia do PS/Gaia reagiu à saída de Paulo Lopes, que classificou com um "um ato de lamentável oportunismo e de ambição pessoal desmedida". "Ao mesmo tempo, desrespeita a confiança que o próprio pediu ao partido para ser candidato à Junta de Freguesia de Santa Marinha e São Pedro da Afurada."

José Carlos Cidade, militante do partido desde de 1979, também pediu a desvinculação numa carta dirigida ao presidente do PS, Carlos César: "Acredito que a política vive hoje um tempo novo. A sociedade exige novas formas de participação, mais abertas, mais próximas, menos dependentes das lógicas partidárias tradicionais", pode ler-se na carta que data de 6 de julho.

À SÁBADO, o antigo presidente da junta da Madalena (2001-2009) garante que o pedido de desfiliação não está relacionado com a candidatura de João Paulo Correia às eleições autárquicas: "Foi uma decisão ponderada, não saí chateado com ninguém. Não está relacionado". E acrescenta: "Já estava a intervir na sociedade através de uma associação do ambiente [OnGaia -Associação de Defesa do Ambiente] da qual sou presidente. Há mais sociedade para além da política partidária. Tudo o que seja o desenvolvimento sustentável do município poderá vir a contar com o meu apoio na qualidade de cidadão". 

A candidatura de João Paulo Correia às eleições autárquicas foi aprovada pela Comissão Política Concelhia do PS em dezembro de 2024. Na altura, o ex-secretário de Estado da Juventude e do Desporto (2022-2024) afirmou em declarações à Lusa: "Sinto-me preparado, determinado e motivado para trabalhar pelo futuro de Gaia e dos gaienses". As eleições estão agendadas para 12 de outubro.

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