Ativistas acusam PSP de "revistas abusivas" a mulheres

Ativistas acusam PSP de 'revistas abusivas' a mulheres
Diogo Barreto 21 de julho
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De acordo com a queixa apresentada no Ministério Público, agentes da PSP terão forçado as mulheres a despirem-se. Polícia desmente as acusações.

Ativistas feministas acusam a Polícia de Segurança Pública de ter levado a cabo "revistas abusivas" depois de um protesto ambientalista em maio. No total, a queixa é feita por 26 dos detidos, sete coletivos feministas e o movimento Climáximo (que organizou o protesto em causa). Algumas das mulheres detidas terão sido obrigadas a despir-se totalmente, ao contrário do que aconteceu com os manifestantes do sexo masculino, denuncia o movimento climático.

A 23 de maio, no âmbito de um protesto do coletivo Climáximo contra a poluição atmosférica causada pelos aviões, a PSP deteve 26 pessoas, entre os 17 e os 28 anos, por ações que obrigaram ao corte do trânsito na Rotunda do Relógio, em Lisboa. O coletivo afirmou em junho que enquanto esperavam "largas horas" na esquadra, os grupos foram alvo de revistas diferenciadas. "Enquanto o grupo masculino experienciou uma mera revista superficial, que se expressou no tateamento por cima da sua roupa, as mulheres foram forçadas à nudez (nalguns casos, sem roupa interior), tendo algumas que se agachar de seguida para provar que não constituíam uma ameaça. Algumas mulheres foram, inclusive, intimidadas verbalmente, quando já se encontravam numa situação de extrema vulnerabilidade, o que se afigura inaceitável", denunciou o Climáximo.

Depois da denúncia pública, o coletivo avançou com uma queixa-crime pelos comportamentos da PSP na esquadra dos Olivais e perante a reação do Comando Metropolitano de Lisboa, que considerou as acusações dos jovens "absurdas". Subscrevem a queixa-crime, além do Climáximo e das 26 pessoas que então foram detidas, sete coletivos feministas: A Coletiva, Feministas Em Movimento, Feminismos sobre Rodas, Marcha Mundial das Mulheres, Mulheres p'lo Direito à Habitação, Por todas nós e UMAR.



Os coletivos e ativistas envolvidos "decidiram proceder com uma queixa-crime ao Ministério Público para que seja reposta a verdade, se apurem responsabilidades e sejam avaliadas consequências penais", pode ler-se no comunicado divulgado esta terça-feira.

Os 26 ativistas foram detidos na sequência de uma manifestação no dia 22 de maio em defesa do ambiente. Cerca de 200 manifestantes impediram o acesso à rotunda do Relógio, em Lisboa (que dá acesso ao aeroporto Humberto Delgado), fazendo um protesto de se sentarem no chão (protesto conhecido como sit-in). Alguns foram levados à força para a esquadra dos Olivais.

A PSP sempre negou as acusações feitas pelo movimento climático.
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