APAV teme aumento da violência doméstica com prolongar da quarentena

APAV teme aumento da violência doméstica com prolongar da quarentena
Margarida Davim 26 de março de 2020

Há uma “falsa calma” que se nota em menos queixas de violência doméstica, avisa Daniel Cotrim da APAV, que antecipa um cenário mais negro com o avançar do período de quarentena


Os dados oficiais mostram uma descida no número de queixas de violência doméstica no final da primeira semana de isolamento social devido à pandemia de Covid-19. À primeira vista e tendo em conta que por todo o país há vítimas fechadas em casa com agressores, pode parecer surpreendente. Mas Daniel Cotrim da Associação de Apoio à Vítima (APAV) diz que isso tem uma explicação. "É compreensível. Só passámos a primeira semana. Foi a preparação para o confinamento. Vem aí uma fase crítica", avisa.

Daniel Cotrim fala numa "falsa calma, que tem que ver com este período de preparação". Passado um primeiro momento em que se multiplicaram as longas filas à porta dos supermercados vem aí uma segunda fase da quarentena, defende o psicólogo e terapeuta familiar. "Agora é que vamos começar a ficar mais virados para dentro", diz, explicando que este "é o momento dos vizinhos". Ou seja, com toda a gente fechada em casa, cabe a quem vive ao lado estar atento, não ignorar os sinais e alertar as autoridades, até por que a vítima pode ter ainda mais medo de pedir ajuda do que o habitual.

"O que estamos a fazer é apelar, apelar, apelar. Apelar à responsabilidade dos vizinhos. Não podemos contar até dez e esperar que pare quando ouvimos barulhos. Está a acontecer, chamamos a polícia", pede Cotrim, que se diz preocupado com a situação gerada por esta pandemia de covid-19 e com o efeito que poderá ter sobre o que considera ser a "pandemia de violência doméstica" com que o país já vivia.

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