João Pedro George
João Pedro George

A arte da respiração

Mas mais ainda que os puristas da língua, detesto os que se ocupam a corrigir em público, com ar catedrático, os erros ortográficos dos outros. Quem frequenta as redes sociais mete-se em complicações e situações embaraçosas.

Pelos cabelos

Os estádios de futebol são um laboratório privilegiado para perceber a evolução social dos cabelos. Na década de 1960, os jogadores tinham todos cabelos curtos, bem recortados à volta das orelhas. Seguiu-se a moda das patilhas e dos cabelos longos, como os de Müller ou Beckenbauer.

Pilosidades

Contra o que geralmente se supõe, os pêlos concentram muitas das facetas, faces e estados da vida social, permitem-nos fazer uma síntese das ideias que fazemos de nós, dos outros e da sua riqueza íntima.

A barba

Cada barba tem a sua própria história. Quadradas, redondas, ovais ou rectangulares, rentes, cheias ou compridas, são sempre um indicador das aspirações e pretensões do seu proprietário, da sua maneira de ver o mundo.

Estalo de génio

Favorecido por uma inesgotável veia poética, que prepondera sobre o seu espírito analítico, o empresário português recorda-nos algo tão simples e ao mesmo tempo tão essencial: a poesia está em tudo!

VS

Para o Vasco, ao contrário dos mais velhos, que já perderam os ideais para onde caminhavam, que sufocam agora entre o peso dos materialismos e das exigências da ordem e da regularidade, os jovens produzem agitação e inquietação.

A Fenda

A relação do editor com os livros é algo da mesma ordem da relação do psicanalista com o inconsciente: ambos são como crianças que abrem os brinquedos para ver como é que funcionam por dentro.

Tirem-me da garagem!

Notícias de grande interesse antropológico, como a polémica gerada pela estátua de um antigo bispo de Braga a segurar um báculo (bastão) com formas que lembram um pénis, mostram-nos um país ignorado, a que os comentadores e cronistas negam qualquer significado ou grandeza.

O pântano corporativo

Os meios corporativos, todos sabemos, são hostis à extravagância dos indivíduos que insistem em manter o sentido da sua independência e que não andam de cócoras, que não pedem esmola à porta dos donos do dinheiro e não frequentem os saraus e as mesas dos grandes senhores.

Boçal e alarve

Um nariz pode orientar-nos em relação às boas ou más intenções dos outros, ver com mais profundidade e lucidez, abrir caminho à intuição ou predispor à descontracção intelectual.

O nariz

É mais importante possuir um bom nariz que ter bom olho, pois a vista pode enganar-nos, mas o nariz raramente. Um nariz que se preze é capaz de farejar as injustiças, as manigâncias, as aldrabices, a banha da cobra, o gato por lebre

O cérebro da paixão

Os seres humanos não são apenas as suas ideias, crenças e convicções. São também os cheiros que arrastam consigo, como histórias que se repetem e que detêm a chave do enigma que levam dentro. São a prova, superiormente filosófica (com perdão da filosofia), de que existe algo que comanda as suas vidas.

O nosso cheiro

O mau cheiro dos outros, que nos atinge como um soco na cara, sem qualquer possibilidade de defesa, é uma força poderosa e sem contemplações, como a kryptonita para o Super-Homem.

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