João Pedro George
João Pedro George

Um perdedor

O alcoolismo é simultaneamente o palco e o produto de uma guerra civil psicológica que se instala dentro do ser humano. Nasce e alimenta-se de factores e transformações sociais.

Luta por isso, pá!

Se na Roma Imperial César tinha sempre a seu lado alguém que lhe dizia “Lembra-te que és humano”, Carlos Moedas deveria pendurar aquela crónica na parede, para que nunca se esqueça de seguir a rota indicada pelo pai: “Luta por isso, pá!”

O destino do clitóris

Não estando ligado a qualquer necessidade ou função reprodutiva, o clitóris não tem outro fim senão o orgasmo. Serve apenas para o gozo, o regozijo, o entretenimento. Se o clitóris tem esse poder, então quem tem poder sobre o clitóris, pode tudo.

Medo do clitóris

As mulheres, as que deveriam ter e têm maior interesse na vida do clitóris, que levavam e levam milénios de convívio com ele, nunca se bisbilhotaram de alto a baixo, espiaram de perto o botão do seu orgasmo? Nunca pararam diante dele?

A revolução do clitóris

A vagina vive em pleno apogeu. É glorificada. Admirada. Rasgadamente elogiada (justo, justíssimo!). Já o clitóris, anda arredado da notoriedade pública. Permanece, entre milhões e milhões de homens e mulheres, um quase completo desconhecido.

Usos do silêncio

Há silêncios que nos acalmam, aliviam e apaziguam, que conferem tranquilidade e intimidade. Mas também há silêncios que expressam desespero ou angústia, que inspiram terrores ou que comunicam com a nossa solidão, que são opressivos e ameaçadores.

Afluentes do silêncio*

Para os herdeiros dos futuristas (todos nós), o ruído indica vida, está associado à potência, à energia, ao poder. O silêncio, pelo contrário, aponta para a cristalização, a suspensão ou a infinita lentidão do tempo, quando os dias parecem mais longos e entediantes.

Ruído de fundo

A existência urbana moderna é barulhenta, submete-nos e condena-nos a uma constante ditadura do barulho. Nas cidades reina uma tal contaminação acústica, uma tal espiral de ruídos, que nunca se falou tanto de silêncio.

(Entre parênteses)

Lobo Antunes põe algumas personagens a falar através de frases dentro de parênteses, para que as vozes se justaponham e misturem com as que estão fora deles. José Saramago, pelo contrário, condenou-os pratica- mente à inexistência nos romances, excepto nos diários.

Psicologia da pontuação

Pausadas e simpáticas, sempre cuidadosas com a linguagem, para não cansar ninguém, as vírgulas podem ser autênticas pedradas de oxigénio, após muitas arfadas devido ao caudal discursivo dos escritores (sobretudo daqueles que despejam palavras pela boca como um chafariz).

A arte da respiração

Mas mais ainda que os puristas da língua, detesto os que se ocupam a corrigir em público, com ar catedrático, os erros ortográficos dos outros. Quem frequenta as redes sociais mete-se em complicações e situações embaraçosas.

Pelos cabelos

Os estádios de futebol são um laboratório privilegiado para perceber a evolução social dos cabelos. Na década de 1960, os jogadores tinham todos cabelos curtos, bem recortados à volta das orelhas. Seguiu-se a moda das patilhas e dos cabelos longos, como os de Müller ou Beckenbauer.

Pilosidades

Contra o que geralmente se supõe, os pêlos concentram muitas das facetas, faces e estados da vida social, permitem-nos fazer uma síntese das ideias que fazemos de nós, dos outros e da sua riqueza íntima.

A barba

Cada barba tem a sua própria história. Quadradas, redondas, ovais ou rectangulares, rentes, cheias ou compridas, são sempre um indicador das aspirações e pretensões do seu proprietário, da sua maneira de ver o mundo.

Estalo de génio

Favorecido por uma inesgotável veia poética, que prepondera sobre o seu espírito analítico, o empresário português recorda-nos algo tão simples e ao mesmo tempo tão essencial: a poesia está em tudo!

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