Amigo de Sócrates coloca "bomba" na Operação Marquês

Amigo de Sócrates coloca 'bomba' na Operação Marquês
Carlos Rodrigues Lima 22 de junho de 2020

Fase de instrução da Operação Marquês recomeça, esta segunda-feira, com alegações da defesa de Carlos Santos Silva. Advogada defende que a investigação deve ser anulada, porque começou com ilegalidades


"O arguido descobriu pela consulta dos autos ter sido investigado durante mais de uma década em Processos Administrativos que devassaram por completo a sua vida pessoal, societária e financeira, fazendo tábua rasa das exigências legais prescritas no Código de Processo Penal para a derrogação do sigilo fiscal e bancário". Esta é a principal linha de defesa do empresário Carlos Santos Silva, o amigo que "emprestava" dinheiro a José Sócrates, que esta segunda feira vai fazer as alegações finais da fase de instrução do processo "Operação Marquês. Acusado de 33 crimes pelo Ministério Público, Carlos Santos Silva defende que a investigação judicial foi precedida de várias ilegalidades, as quais, a serem reconhecidas, podem inviabilizar todo o processo.

Segundo a acusação, o empresário da Covilhã foi, durante anos, o "testa de ferro" do antigo primeiro-ministro, disponibilizando-lhe as suas contas bancárias para a movimentação de dinheiro obtido por José Sócrates em crimes de corrupção. O Ministério Público sustenta que isso aconteceu, por em 2010, quando às conta de Santos Silva chegaram 12 milhões de euros com origem no Grupo Espírito Santo, supostamente um pagamento a José Sócrates pela forma como o governo interveio na OPA da SONAE à PT e pela venda da operadora Vivo, no Brasil. Foi também a uma conta bancária controlada por Carlos Santos Silva que chegaram outras transferências de dinheiro, uma ligada ao resort de Vale do Lobo, outra relacionada com o Grupo Lena.

Para estes movimentos, e já em declarações na fase de instrução, Santos Silva tem apresentado algumas justificações, desde negócios em Angola a prestação de serviços ao Grupo Lena. Porém, mais do responder aos factos da acusação, a sua advogada, Paula Lourenço, tem, nos últimos anos, tentado ir à origem de toda a investigação da Operação Marquês, defendendo que a origem do processo está numa ilegalidade cometida através dos designados PA’s, Processos Administrativos, atualmente chamados de Processos de Prevenção do Branqueamento de Capitais.

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