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Ambientalistas da Zero medem "o inferno nos céus" de Lisboa

05 de julho de 2019 às 08:06
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A Zero vai passar 24 horas a monitorizar o ruído dos aviões na zona do jardim do Campo Grande, junto da avenida do Brasil, e vai divulgar em direto a informação.

A associação ambientalistaZerolança esta sexta-feira a campanha "dÉCIbEIS A MAIS, O INFERNO NOS CÉUS" para alertar e sensibilizar para o ruído dos aviões na cidade de Lisboa, e convida a população a participar.

Numa ação de 24 horas a monitorizar o ruído dosaviões, a campanha começa às 07:00 e só termina à mesma hora de sábado.

O ruído provocado pelos aviões vai ser medido na zona do jardim do Campo Grande, junto da avenida do Brasil, uma zona que é sobrevoada pelos aviões que aterram ou levantam doaeroporto Humberto Delgado. Mas a organização incentiva os habitantes de zonas abrangidas pelo ruído a fazerem também monitorizações.

A organização vai montar equipamento "homologado e certificado" de monitorização para realizar medições contínuas e vai divulgar em direto a informação.

"A Zero vai dar voz a muitos dos residentes afetados por ruído associado ao aeroporto deLisboa, desde casos de pessoas que só conseguem descansar com medicação aqueles que não conseguem trabalhar ou conversar por estarem sempre a ser interrompidos. Mais ainda, o caso único do maior hospital psiquiátrico do país no local mais afetado pelo ruído dos aviões com níveis impressionantes para quem precisa obviamente de um local silencioso", diz a associação num comunicado alusivo à iniciativa.

As medições, segundo o comunicado, vão avaliar os dois indicadores deruídoprevistos na lei (consoante a hora do dia), mas avisa que medições preliminares "dão indicações de uma significativa ultrapassagem" dos valores máximos permitidos, "independentemente dos picos de ruído que infelizmente a legislação não avalia diretamente".

A Zero sugere que os cidadãos descarreguem aplicações de análise de ruído e que tornem púbicos os resultados.

E diz que o aeroporto de Lisboa tem atualmente mais de 650 movimentos (aterragens e descolagens) por dia e que os dados detalhados da monitorização de ruído no Aeroporto Humberto Delgado não são públicos.

"Os limites de ruído da legislação portuguesa não são cumpridos nas proximidades do aeroporto devido à influência dos aviões", acusa a Zero, que refere haver na zona de aproximação dos aviões várias escolas primárias e secundárias, o Instituto Português de Oncologia, o maior hospital do país e a maior concentração de faculdades do país.

E alerta ainda que a exposição ao ruído provoca distúrbios do sono ou de concentração e que as crianças são mais afetadas.

"O Governo apoia a expansão do aeroporto Humberto Delgado de 30 para 42 milhões de passageiros sem avaliação ambiental estratégica. Implicará um aumento máximo dos movimentos de 40 para 48 por hora", assinala também a Zero.