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Alunos sem professores aumentaram para mais de 158 mil em janeiro

Lusa 10 de fevereiro de 2026 às 14:43
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Para a Fenprof, os problemas nas escolas têm-se agravado porque o Governo continua a adiar medidas importantes.

A Federação Nacional dos Professores alertou esta terça-feira para um aumento do número de alunos sem aulas face ao ano passado, estimando que a falta de professores tenha afetado mais de 158 mil estudantes em janeiro.

Número de alunos sem professores continua a preocupar
Número de alunos sem professores continua a preocupar Luís Guerreiro/Correio da Manhã

"Comparámos o que se passa nas escolas agora com a realidade vivida há um ano e verificámos que aumentaram o número de horários e de horas a concurso em contratação de escola, assim como há mais alunos afetados", contou à Lusa José Feliciano Costa, um dos secretários-gerais da Federação Nacional dos Professores.

Quando a reserva de recrutamento nacional já não tem docentes disponíveis, os diretores recorrem à contratação de escola e, no mês passado, havia 38,3% mais horários a concurso: Passaram de 1.557 em janeiro de 2025 para 2.153 este ano, segundo dados da Fenprof.

Também aumentaram quase 40% as horas a concurso, passando de cerca de 28 mil para quase 40 mil, acrescentou José Feliciano Costa.

Perante estes números, a Fenprof estima que, no mês passado, a falta de professores tenha afetado 158.130 mil alunos.

"São mais 28,4% do que em janeiro do ano passado, quando estimámos que afetava cerca de 123 mil alunos", sublinhou o responsável em declarações à Lusa.

Para a Fenprof, os problemas nas escolas têm-se agravado porque o Governo continua a adiar medidas importantes, como a criação de um novo Estatuto de Carreira Docente (ECD) mais atrativo.

José Feliciano Costa lembrou hoje que a falta de professores não é um problema exclusivo da escola pública, afetando também o ensino privado e o setor social, onde muitas vezes os salários são mais baixos, as carreiras mais longas, os horários sobrecarregados e os vínculos precários.

"A degradação das condições de trabalho nestes setores tem levado muitos docentes a abandonar a profissão ou a procurar colocação na Escola Pública, agravando a instabilidade pedagógica e a dificuldade na contratação de professores qualificados", alertou a Fenprof, que este mês vai percorrer o país numa caravana nacional.

A Fenprof vai atravessar o país entre 19 de fevereiro e 4 de março com o lema "Somos professores, damos rosto ao futuro", para dar visibilidade à falta de professores, ao envelhecimento da profissão docente e a outros problemas que afetam a profissão.

A caravana começa a 19 de fevereiro no Porto e terminará em Lisboa, a 4 de março, às 15:00, com uma concentração no Largo Camões.

Em dez dias de caravana serão apontados os problemas locais concretos e exigidas soluções, envolvendo os professores, as comunidades educativas e as populações locais, nos 18 distritos do continente, nas nove ilhas da Região Autónoma dos Açores e em oito concelhos da Região Autónoma da Madeira.

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