“A embaixada chinesa pediu para nos desconvidarem”

“A embaixada chinesa pediu para nos desconvidarem”
Nuno Tiago Pinto 06 de setembro de 2019

O Cardeal Joseph Zen confirma à SÁBADO as pressões chinesas para não o deixarem falar na conferência de líderes políticos e religiosos em Fátima. Sobre a situação em Hong Kong, diz que é dramática. "Por favor, rezem por nós", pede.

O bispo emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen, falou com a SÁBADO a partir da antiga colónia britânica, para onde voltou após o encontro da International Catholic Legislators Network (ICLN) que o trouxe a Fátima entre 22 e 25 de agosto. Apesar de não ter conseguido encontrar disponibilidade a tempo de a entrevista acompanhar a investigação que faz a capa da SÁBADO desta semana, o cardeal, de 87 anos, fez questão de cumprir o prometido de forma a contar não só o que aconteceu durante a visita a Portugal mas também o que se passa atualmente em Hong Kong, o motivo que levou a embaixada Chinesa em Lisboa a montar uma operação subversiva para tentar impedir a sua participação – e a de Martin Lee, fundador do Partido Democrático de Hong Kong – no encontro que juntou na mesma sala líderes religiosos e políticos, como o chefe de gabinete de Donald Trump, Mick Mulvaney. A situação que descreve é drámatica: "Estamos à espera que uma tragédia aconteça". E depois de descrever as suas preocupações e dos manifestantes de Hong Kong pede: "Por favor rezem também por nós".


Cardeal Zen, pode dizer-me o que se passou em Fátima?
Quando chegámos disseram-nos que a embaixada chinesa fez um pedido aos organizadores da ICLN para nos desconvidarem a mim e ao senhor Martin Lee, fundador do Partido Democrático. Em Hong Kong chamamos-lhe ‘pai da democracia’. Eles queriam que a organização nos dissesse para ir embora. Mas aquele era um encontro privado entre católicos, não fazemos declarações públicas nem demos entrevistas. Mas eles disseram que não éramos qualificados, que éramos pessoas com ideias diferentes. Mas ali falámos entre pessoas iguais, que conhecemos. O governo estava um pouco preocupado e enviou a policia para a porta do local do encontro para garantir que nada acontecia. Foi um pequeno incidente e uma tentativa para nos perturbar.

Foi abordado diretamente por responsáveis chineses?
Não. Eles abordaram os organizadores do encontro. 

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