"O meu objetivo era precisamente o contrário, o temer que muitas vítimas, por medo, não tivessem falado", disse o presidente da República.
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu desculpa, esta quinta-feira, às vítimas de abusos sexuais da Igreja que se possam ter sentido ofendidas com as declarações que proferiu.
EPA/YIANNIS KOURTOGLOU / POOL
"A minha intenção não foi ofender, mas se porventura entenderam, uma que seja das vítimas que está ofendida, eu peço desculpa por isso, porque não era esse o meu objetivo", disse o presidente da República em declarações aos jornalistas.
"O meu objetivo era precisamente o contrário, o temer que muitas vítimas, por medo, não tivessem falado e o número, que deveria ser ainda mais alto, tivesse ficado por onde ficou", sublinhou.
Na terça-feira, questionado sobre a recolha de 424 testemunhos de abusos sexuais contra crianças na Igreja Católica em Portugal, o Presidente da República disse não estar surpreendido, salientou que "não há limite de tempo para estas queixas" que têm estado a ser recolhidas, algumas relativas "há 60 ou há 70 ou há 80 anos".
"Significa que estamos perante um universo de pessoas que se relacionou com a Igreja Católica de milhões ou muitas centenas de milhares", prosseguiu Marcelo Rebelo de Sousa, concluindo: "Haver 400 casos não me parece que seja particularmente elevado, porque noutros países e com horizontes mais pequenos houve milhares de casos".
Face às críticas que as suas declarações suscitaram, o chefe de Estado divulgou uma nota a explicar que "este número não parece particularmente elevado face à provável triste realidade, quer em Portugal, quer pelo mundo", admitindo que "terá havido também números muito superiores em Portugal".
Depois, o Presidente da República falou para a RTP e para a SIC a reforçar a mesma mensagem, reiterando que 424 queixas lhe parece um número "curto" face ao que estima ser a realidade, declarando que aceitava democraticamente as críticas que recebeu, mas não as compreendia.
Os 424 testemunhos foram recolhidos pela designada Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, uma estrutura constituída por decisão da Conferência Episcopal Portuguesa e coordenada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht.
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