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Trump diz que "ninguém vai controlar" Estreito de Ormuz

O presidente norte-americano afirmou que nenhum país vai controlar a zona e que isso vai ficar claro no acordo iraniano.

O presidente dos Estados Unidos garantiu que o Estreito de Ormuz vai estar aberto para todos e que nenhum estado o vai controlar.

Trump afirma controlo no Estreito de Ormuz, visando acordo iraniano
Trump afirma controlo no Estreito de Ormuz, visando acordo iraniano AP Photo/Jacquelyn Martin

“Vamos vigiar, mas ninguém vai controlar. Isso é parte da negociação que estamos a ter”, afirmou o presidente norte-americano em declarações a partir de uma reunião de gabinete.

A Casa Branca negou hoje estar a negociar com o Irão a retirada das suas forças em troca da reabertura do Estreito de Ormuz, como avançaram hoje os 'media' iranianos.

Segundo a emissora estatal iraniana, o texto de uma página do acordo preliminar de paz em discussão, a que alegadamente teve acesso, esboça "o memorando de entendimento" entre os dois beligerantes para pôr fim à guerra, segundo o qual o Irão comprometer-se-ia a restabelecer o tráfego marítimo comercial através do Estreito de Ormuz aos níveis anteriores à guerra no prazo de um mês.

Por seu lado, os Estados Unidos levantariam o cerco aos portos e navios iranianos que estabeleceram em retaliação ao bloqueio de Ormuz e retirariam as suas tropas das proximidades do Irão, o que a Casa Branca negou prontamente, classificando-o como "pura invenção".

Em seguida, os dois países dariam a si próprios um prazo de 60 dias para negociar as restantes questões, como o programa nuclear iraniano.

"Esta informação divulgada pelos meios de comunicação estatais iranianos não é verdadeira e o projeto de acordo-quadro que eles 'publicaram' é uma invenção total. Ninguém deve acreditar numa única palavra do que os meios de comunicação estatais iranianos divulgam", respondeu o executivo norte-americano através de uma das suas contas oficiais no X, a Rapid Response 47.

O Irão e os Estados Unidos intensificaram nos últimos dias os esforços para pôr fim à guerra e estão a negociar um acordo para reabrir o estreito, o que deixaria para mais tarde as discussões sobre o programa nuclear iraniano.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que ainda há algumas discrepâncias por resolver no rascunho inicial, o que levará "alguns dias".

A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, tem marcada para hoje uma reunião de gabinete na Casa Branca em que deve ser discutida a situação no Irão.

Ainda hoje o Irão acusou Washington de estar a adotar uma nova estratégia para derrubar a República Islâmica, uma "guerra branda", segundo os serviços secretos iranianos.

"O inimigo persegue agora, por outros meios, o objetivo de derrubar e dividir o país, que tinha declarado abertamente no início da guerra, mas que não conseguiu alcançar através de um ataque militar", afirmou o Ministério das Informações iraniano.

Num longo comunicado divulgado pela agência IRNA, os serviços secretos justificaram a mudança de estratégia dos Estados Unidos e de Israel com a derrota sofrida, na perspetiva iraniana, na guerra que iniciaram em 28 de fevereiro.

Depois de o conflito ter causado milhares de mortos no Médio Oriente, os serviços secretos iranianos disseram ter identificado uma estratégia de "guerra branda", que passa pela desestabilização interna, sabotagem e guerra de informação.

O ministério disse ter informações de que o inimigo procura "intensificar a pressão económica", criar divisões entre diferentes comunidades étnicas e religiosas, e realizar operações de sabotagem, bem como outras "operações terroristas" e guerra de informação.

No sábado, Trump garantiu que estava próximo um acordo com Teerão para pôr fim à guerra no Médio Oriente, mas os desenvolvimentos mais recentes comprometeram estes aparentes progressos.

O Irão acusou os Estados Unidos de terem violado o cessar-fogo, na sequência de ataques norte-americanos na segunda-feira no sul do país, numa altura em que os combates tinham praticamente cessado desde 08 de abril, data do início da trégua.