Miistro diz que Moscovo tem dado sinais de que está disponível para o diálogo com o bloco.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português disse esta segunda-feira haver “momentum” para a União Europeia (UE) começar a falar com a Rússia, frisando que Moscovo tem dado sinais de que está disponível para o diálogo com o bloco.
Paulo Rangel, ministro dos Negócios EstrangeirosANTÓNIO COTRIM/LUSA
“Há sinais que abrem a hipótese de se conversar e falar”, afirmou Paulo Rangel em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas.
O governante português salientou que parece haver, “quer da parte da Rússia, quer da parte da UE e dos países europeus, uma disponibilidade para considerar esse diálogo”, acrescentando que isso “é algo diferente”.
“Houve aqui alguma mudança e, portanto, isso cria aquilo que se chama agora, usando uma palavra latina, mas vinda do inglês, ‘momentum’”, referiu.
Questionado se lhe parece que, no terreno, a Rússia tem manifestado vontade de negociar, o ministro respondeu que “há três fatores diferentes e que podem dar sinais que não são todos convergentes no mesmo sentido”.
“O primeiro é que as negociações mediadas nos Estados Unidos estão num certo impasse, não têm progredido e há, ao mesmo tempo, abertura nos Estados Unidos para que a Europa ou a UE possam ter aqui um papel, ou pelo menos começar a conversar”, referiu.
O segundo fator, prosseguiu, é que “há alguns sinais da Federação Russa de que esse diálogo poderia ser feito”, como indicia o facto de o Presidente Vladimir Putin ter proposto que o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder representasse a UE em eventuais negociações.
“A proposta desse nome adianta a questão de considerar um diálogo com a Europa, independentemente de ser um nome aceitável ou não aceitável”, observou Rangel.
O chefe da diplomacia portuguesa referiu que o terceiro fator verifica-se no terreno e “desmente um pouco a disponibilidade não tanto para falar, mas para aceitar fazer progressos”, dando o exemplo do facto de a Rússia ter rejeitado antecipar o cessar-fogo de 08 e 09 de maio para 06 de maio.
Mas, “acho que há um ‘momentum’”, reiterou Paulo Rangel.
Questionado se essa abertura para dialogar com a Rússia é transversal a todos os Estados-membros da UE, incluindo os países bálticos, o ministro respondeu que “há nuances”, mas “há uma disposição de muitos Estados”.
“Veja o caso da Finlândia e da Estónia, os presidentes encontraram-se, logo a seguir a ter falado o primeiro-ministro Luís Montenegro, e ambos disseram que teria de haver um momento em que teria de haver conversações com eles”, afirmou.
Sobre os moldes em que esse eventual diálogo pode acontecer, Rangel frisou que há “várias formas”.
“Podem ser só alguns países europeus, pode ser a UE enquanto tal. Há várias formas. (…) É preliminar e ainda é, digamos, um bocadinho precoce. Tudo está em aberto”, referiu.
Ainda sobre o ex-chanceler alemão Schröder, e interrogado se lhe parecia aceitável que este representasse a UE em potenciais negociações, Rangel respondeu: “É uma ideia descabida”.
“É evidente que Gerhard Schröder não oferece essas condições. Isso seria o mesmo que dizer – até foi mencionado na sala – que devia ser Viktor Orbán [ex-primeiro-ministro húngaro] a fazer as negociações. Quer dizer, é alguém que está completamente alinhado com o regime russo”, disse.
Apesar de manifestar abertura para o diálogo, Rangel defendeu que a UE não deve “parar com as ações” para pressionar Moscovo, frisando que eventuais negociações ainda estão numa “fase muito preliminar”.
“Portanto, não vamos, em caso nenhum, relaxar no apoio que temos dado à Ucrânia”, frisou.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.
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