O Estreito de Ormuz é uma espécie de campo minado e os Estados Unidos andam à caça das bombas colocadas pelo Irão. Que minas submersas são estas?
A 8 de abril, após ter sido anunciado um cessar-fogo de duas semanas entre o Irão e os Estados Unidos da América (EUA) e Israel, a Guarda Revolucionária Iraniana partilhou um mapa com rotas alternativas para a travessia do Estreito de Ormuz de forma a evitar "diversos tipos de minas antinavio".
Uma tensão antiga: imagem de 1987 mostra minas a bordo do navio iraniano Iran Ajr a serem inspecionadas por uma equipa do USS Lasalle no Golfo Pérsico. AP/Mark Duncan
Mas ainda não há fim à vista para o fim deste conflito e na passada quinta-feira, 23 de abril, Donald Trump anunciou na rede Truth Social que tinha dado ordens às forças armadas norte-americanas para que abatessem pequenas embarcações iranianas suspeitas de colocar minas no Estreito de Ormuz. No sábado, Trump fez outra publicação, desta vez a anunciar que a sua Marinha estaria a remover as minas. Mas uma operação destas pode demorar meses.
“Nem sequer é preciso ter colocado minas, basta fazer as pessoas acreditarem que o fizeste”, afirmou Emma Salisbury à Associated Press (AP) , investigadora norte-americana do Centro de Estudos Estratégicos da Marinha Real e do Programa de Segurança Nacional do Instituto de Investigação de Política Externa. “E mesmo que os EUA façam a varredura do estreito e digam que está tudo limpo, basta aos iranianos dizerem: ‘Na verdade, ainda não encontraram todas’, ” afirmou Salisbury, que considera haver um limite "para aquilo que os EUA podem fazer para devolver essa confiança ao transporte marítimo comercial.”
Segundo a AP, responsáveis do Pentágono disseram a membros do Congresso que provavelmente seriam necessários seis meses para limpar as minas que o Irão terá colocado no estreito.
O que são minas navais?
Segundo a Al Jazeera, estima-se que o arsenal do Irão inclua entre duas a seis mil minas navais, que são geralmente divididas em três categorias: minas de contacto, minas de fundo e minas-foguete.
As minas de contacto (das quais é exemplo o modelo M-08), mais tradicionais, ficam ancoradas ao fundo do mar e detonam ao entrar em contacto físico com o casco de um navio. As minhas de fundo (como o modelo Maham-2) assentam no leito marítimo e podem explodir através de sensores acústicos ou magnéticos das embarcações, tornando-se mais perigosas e difíceis de detetar.
Mas há sistemas ainda mais avançados: as minas-foguete (que incluem as chinesas EM-52) ficam ancoradas no fundo do mar a profundidades até 200 metros, mas quando detetam uma embarcação a passar libertam um foguete em direção ao casco.
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