Independência de Timor. Diplomatas da ONU condecorados por Portugal

Lusa 21 de agosto de 2019
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Ian Martin, Tamrat Samuel e Francesc Vendrell vão ser condecorados a 31 de agosto em Díli. Ferro Rodrigues entregará as comendas em nome de Marcelo Rebelo de Sousa.

Os diplomatas das Nações Unidas Ian Martin, Tamrat Samuel e Francesc Vendrell, envolvidos no processo de independência de Timor-Leste, vão ser condecorados com a Comenda da Ordem da Liberdade, atribuída pelo Presidente da República português, disse fonte diplomática.

Ian Martin
Ian Martin CANDIDO ALVES/AFP/Getty Images

As condecorações serão entregues em Díli pelo presidente da Assembleia da República portuguesa, Eduardo Ferro Rodrigues, em nome de Marcelo Rebelo de Sousa, numa cerimónia no dia 31 de agosto, confirmou à Lusa a mesma fonte.

Ian Martin liderou a Missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNAMET) que supervisionou o referendo de 30 de agosto de 1999 e, posteriormente, em 2006, foi enviado especial do secretário-geral para o país, na altura envolvido numa profunda crise política.

Martin chegou hoje a Timor-Leste onde será enviado e representante do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para as comemorações do 20.º aniversário do referendo em que os timorenses escolheram a independência. Os restantes condecorados são esperados na próxima semana.

Francesc Vendrell, 79 anos e natural de Barcelona, é considerado o funcionário das Nações Unidas que mais tempo acompanhou a questão de Timor-Leste, tendo em 1975 convencido o então sub-secretário geral Tang Ming-Chao a aprovar a realização de um relatório sobre Timor (publicado em 1976).

Vendrell teve um papel importante na produção das oito resoluções da Assembleia Geral sobre Timor-Leste, aprovadas entre 1976 e 1982, altura em que a questão ia progressivamente desaparecendo da atenção da comunidade de nações.

Depois de anos a acompanhar Timor-Leste, Vendrell, então diretor do Departamento de Assuntos Políticos da ONU, liderou a primeira delegação das Nações Unidas.

Tamrat Samuel, por seu lado, foi entre 1992 e 2000 o ponto focal do secretário-geral da ONU para a "Questão de Timor-Leste", tendo estado envolvido nas prolongadas negociações entre Portugal e a Indonésia que culminaram no acordo de 05 de maio de 1999, que permitiu a consulta popular de há 20 anos.

Principal canal de ligação entre a ONU e a liderança timorense, organizou e facilitou as rondas do diálogo intra-timorense entre 1994 e 1998 e fez parte da delegação da ONU liderada por Vendrell.

A página oficial do Grão-Mestre das Ordens Honoríficas Portuguesa nota que a Ordem da Liberdade "destina-se a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e à causa da Liberdade".

O Grande-Colar da Ordem da Liberdade é o mais alto grau da Ordem e é concedido pelo Presidente da República a chefes de Estado estrangeiros e "a pessoas cujos feitos, de natureza extraordinária e especial relevância para Portugal, os tornem merecedores dessa distinção".

No referendo de 30 de agosto de 1999, que ocorreu após 24 anos de ocupação indonésia de Timor-Leste, mais de 78,5% da população timorense votou a favor da independência, apesar de meses de intensa violência e intimidação.

Os resultados da votação foram anunciados na manhã de 04 de setembro por Ian Martin na sala de conferências do então Hotel Mahkota (hoje Hotel Timor), tendo praticamente de imediato começado uma onda de destruição sistemática em todo o país.

A situação levou a comunidade internacional a aprovar a vinda de uma força internacional, a Interfet, que chegou ao país a 20 de setembro para estabilizar a situação.

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