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Hungria: Autarca de Budapeste compara legislativas a referendo sobre UE ou Rússia

Presidente do município da capital húngara desde 2019, Gergely Karácsony é um crítico do primeiro-ministro.

O presidente da Câmara de Budapeste, Gergely Karácsony, apelou este sábado ao voto "pela mudança" nas legislativas de domingo, que comparou a um referendo para decidir se a Hungria será uma democracia europeia ou uma autocracia de Leste pró-Rússia.

Presidente da Câmara de Budapeste, Gergely Karácsony
Presidente da Câmara de Budapeste, Gergely Karácsony AP

“Todos os pecados dos últimos 16 anos estão encapsulados no facto de que este domingo devemos decidir mais uma vez: queremos permanecer na Europa? Queremos pertencer ao mundo das democracias europeias ou às autocracias do Leste influenciadas pela Rússia?”, questionou o autarca liberal, numa mensagem em vídeo dirigida aos eleitores de Budapeste e enviada à agência Lusa.

Karácsony, destacado rosto da oposição ao primeiro-ministro húngaro, o ultraconservador Viktor Orbán, que concorre a um quinto mandato, recordou que, em 12 de abril de 2003, “uma esmagadora maioria” decidiu, num referendo, que a Hungria deveria aderir à União Europeia.

Vinte e três anos depois, considerou, “há algo fatídico no facto de o 12 de abril poder, mais uma vez, ser um ponto de viragem na história do país”.

O autarca acusou o Governo de Orbán de “deliberada e sistematicamente, por puro egoísmo pelo poder, despedaçar os laços que ligam a Hungria à Europa nos seus valores morais e interesses pragmáticos”.

Sem apelar diretamente ao voto em nenhum partido, o presidente do município de Budapeste avisou: “Para que a Hungria permaneça na Europa, temos de votar pela mudança este domingo. Não para acordar noutro país a 13 de abril, como muitos dizem, mas para acordar num país que é o nosso”.

“Comecemos por criar uma pátria em vez da Hungria de hoje, uma pátria que regressa aos princípios de justiça, solidariedade e humanidade. Continuemos a construir uma Europa para nós próprios que não seja apenas um grupo de Estados-membros, mas sim o lugar mais verdadeiro num mundo turbulento”, pediu.

Na mensagem, também fez um apelo à união dos húngaros, “num país tão dilacerado” pelas divisões políticas.

“Na noite das eleições, metade do país ficará desiludida, e talvez até zangada. Vamos continuar o processo de mudança vendo essa parte do país não como derrotados excluídos, mas como concidadãos”, pediu.

O voto é um exercício de liberdade, sublinhou.

“Nos últimos anos, tentaram privar-nos da nossa liberdade tantas vezes e de tantas formas, mas ninguém nos pode tirar a liberdade de ponderar as nossas opções e tomar uma decisão. Exerçamos esta liberdade no lugar mais livre do mundo: os boletins de voto”, disse.

“Peço a todos que saiam para votar no domingo e exorto todos a votarem pela mudança. (…) Precisamos de liberdade, e para isso precisamos uns dos outros, para que finalmente, depois de tantos anos de ódio, possamos respirar aliviados, e possamos trazer paz às nossas almas e ao nosso país”, apelou.

Presidente do município da capital húngara desde 2019, Gergely Karácsony é um crítico do primeiro-ministro.

No ano passado, desafiou a interdição das autoridades e promoveu uma marcha de orgulho LGBT, que atraiu um número recorde de participantes - segundo organizações de direitos humanos, 300 mil pessoas.

Em janeiro deste ano, o Ministério Público acusou-o de ter organizado um evento proibido e pediu um julgamento sumário. O autarca enfrenta uma pena que pode ir até um ano de prisão.

Karácsóny afirmou-se “um arguido orgulhoso”.

“Eles nem querem um julgamento, porque não conseguem compreender que, nesta cidade, nos levantamos em defesa da liberdade diante de um poder mesquinho e autoritário”, escreveu, nas redes sociais.

Cerca de oito milhões de húngaros são chamados este domingo a eleger os 199 deputados do parlamento, nas eleições mais disputadas dos últimos anos, e nas quais o primeiro-ministro pode ser afastado, após 16 anos.

As sondagens apontam para a vitória do conservador Péter Magyar, que lidera o partido Tisza desde há dois anos, quando abandonou o Fidesz, partido no poder.

Ao longo da campanha, Viktor Orbán, considerado próximo de Moscovo, acentuou os ataques contra Bruxelas e contra a Ucrânia, que acusa de ingerências externas, enquanto Péter Magyar promete reaproximar a Hungria da UE.

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