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Delcy Rodríguez, a mulher que lidera a Venezuela sob ameaça de "pagar um preço muito grande" se não agradar a Trump

Débora Calheiros Lourenço
Débora Calheiros Lourenço 04 de janeiro de 2026 às 20:00
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A vice-presidente da Venezuela já passou por vários dos Ministérios desde a implementação do chavismo no país.

Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, será a presidente interina do país depois de Nicolás Maduro e a sua mulher terem sido capturados por militares dos Estados Unidos, na madrugada de sábado. Ainda assim Trump já deixou claro que se Delcy Rodríguez “não fizer o que deve, vai pagar um preço muito grande, provavelmente maior do que Maduro”.  

Delcy Rodríguez, à esquerda, Nicolás Maduro, ao centro, e Cilia Flores, à direita
Delcy Rodríguez, à esquerda, Nicolás Maduro, ao centro, e Cilia Flores, à direita AP Photo/Ariana Cubillos, File

Ao  o presidente norte-americano referiu que os seus planos passam por “reconstruir o país e uma mudança de regime” até porque “qualquer coisa é melhor do que o que temos agora”. Para isso considera que Delcy Rodríguez deve trabalhar com os Estados Unidos, que vão temporariamente “governar” o país: “Ela está disposta a fazer o que nós achamos que é necessário para tornar a Venezuela grande novamente”.  

Os Estados Unidos parecem mesmo preferir a vice-presidente venezuelana a María Corina Machado, opositora de Nicolás Maduro e vencedora do prémio Nobel da Paz de 2025. “María Corina Machado é fantástica e é alguém que conheço há muito tempo, tal como todo o movimento da oposição, mas estamos a lidar com a realidade imediata”, afirmou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, este domingo e anteriormente também Donald Trump tinha referido que Corina Machado não tinha apoio suficiente para assumir a liderança do país. No ainda não é possível prever qual será o relacionamento do presidente dos Estados Unidos com Delcy Rodríguez, uma vez que afirma estar “pronta para proteger os recursos naturais” da Venezuela: “Não vamos voltar a ser uma colónia”. 

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela também considera que deve ser Delcy Rodríguez a gerir a presidência interina, decisão já apoiada pelo exército, “de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação” é também isso que está previsto na Constituição venezuelana em caso de ausência do presidente. 

Delcy Rodríguez é, aos 56 anos, a primeira mulher da história da Venezuela a liderar o executivo. Rodríguez estudou Direito na Universidade Central da Venezuela e há mais de duas décadas que é umas das principais figuras do chavismo – movimento político fundado pelo presidente Hugo Cháves, que governou entre 1999 e 2013, e liderado por Nicolás Maduro desde 2013. Delcy Rodríguez ocupou vários cargos desde a era Chávez, passando pelo Ministério da Comunicação e Informação, entre 2013 e 2014, Negócios Estrangeiros, entre 2014 e 2017, e atualmente acumulava também as Finanças e o Petróleo.  

Em 2017 tornou-se presidente da Assembleia Nacional Constituinte, que alargou os poderes do Governo, e em 2018 foi nomeada como vice-presidente para o segundo mandato de Maduro, cargo que manteve no terceiro mandato presidencial.  

A oposição venezuelana sustenta que as eleições de 2024 foram fraudulentas e que Maduro não é um presidente legitimamente eleito, pelo que num momento em que os Estados Unidos referem a necessidade de mudança de regime a legitimidade de Delcy Rodríguez é também questionada.  

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