EX-presidente dos EUA disse que nunca fez nada de "errado" e criticou o facto de Hillary ter prestado depoimento. "Alguém que cresce com violência doméstica" jamais poderia ter viajado no jato de Epstein. Questionado sobre se Trump devia depor, disse que não lhe cabia essa decisão.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, foi esta sexta-feira ouvido (pelas 16h de Lisboa) no âmbito das suas ligações a Epstein. Numa declaração inicial, que divulgou publicamente ainda antes de depor perante o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes, começou por criticar o facto de Hillary Clinton ter prestado depoimento sobre este caso, uma vez que "ela não tinha nada a ver com Jeffrey Epstein" e lembrou que "ela não se lembra nem de tê-lo conhecido" - algo que a ex-secretária de Estado já havia referido na quinta-feira.
Clinton nega crimes de Epstein, critica Trump e descarta envolvimento de HillaryFoto AP/Heather Ainsworth
"Alguém que cresce num lar com violência doméstica" jamais poderia ter viajado no jato do criminoso sexual caso "tivesse a mínima ideia do que ele estava a fazer. (..) Eu mesmo o teria denunciado", garantiu.
As someone who grew up in a home with domestic abuse, not only would I not have flown on his plane if I had any inkling of what he was doing—I would have turned him in myself and led the call for justice for his crimes, not sweetheart deals. pic.twitter.com/0rX8cat5Pu
Bill Clinton, que surge citado centenas de vezes nos ficheiros de Epstein e que aparece em várias fotografias - nomeadamente num jacuzzi com uma suposta "vítima" de abuso sexual - , falou, no entanto, sobre as suas ligações ao criminoso sexual. No Comité, garantiu que "não tinha ideia dos crimes que Epstein estava a cometer" e acusou o falecido de ter escondido muito "bem" estes crimes diante de todos. "Eu sei o que fiz e, mais importante, o que não fiz. Não vi nada e não fiz nada de errado", frisou.
Aos jornalistas, James Comer, membro da Câmara dos Representantes, esclareceu que Clinton foi questionado sobre se Donald Trump deveria ser ouvido nesta comissão. "Isso cabe a vocês decidirem", respondeu o ex-presidente ao sublinhar que não tinha conhecimento de qualquer tipo de envolvimento de Trump nos crimes de Epstein.
Clinton terá ainda sido questionado sobre uma fotografia sua, que consta nos arquivos de Epstein, e na qual aparece deitado numa banheira de hidromassagem juntamente com uma outra pessoa não identificada, contou à BBC uma fonte. No seu depoimento, disse não saber quem era a mulher em causa. Questionado sobre se teria tido relações sexuais com ela, respondeu que não, revelou a mesma fonte.
Já passavam duas horas desde o início da audiência quando a deputada republicana Anna Paulina Luna disse em declarações aos repórteres que o Clinton estava a cooperar e que a comissão estava a obter um "quadro mais claro" sobre este caso bastante mediático. Também Suhas Subramanyam, representante democrata da Virgínia, confirmou que o ex-presidente estava a responder detalhadamente às perguntas e que em momento algum invocou a Quinta Emenda - o direito à sua proteção - e destacou que o ambiente que se vive na sala é "respeitoso".
Enquanto isso, o democrata Maxwell Frost dirigia-se aos jornalistas para dizer que a comissão tem agora algumas questões a fazer a Trump. Pediu, por isso, que também o secretário do Comércio, Howard Lutnick, e a procuradora-geral, Pam Bondi, fossem ouvidos nesta comissão.
A audiência está prevista durar cerca de seis horas.
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