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China pede aos Estados Unidos a "libertação imediata" do Presidente da Venezuela

Lusa 04 de janeiro de 2026 às 09:33
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Ministério dos Negócios Estrangeiros do país classificou a operação dos EUA como uma "flagrante violação do direito internacional".

A China pediu este domingo aos Estados Unidos a libertação imediata do Presidente da Venezuela que foi detido em Nova Iorque, depois de ter sido capturado numa operação militar norte-americana levada a cabo no sábado.

Lin Jian, ministro dos Negócios Estrangeiros da China
Lin Jian, ministro dos Negócios Estrangeiros da China EPA

"A China pede aos Estados Unidos que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher, que os libertem imediatamente e que cessem os seus esforços para derrubar o Governo venezuelano", afirmou a diplomacia de Pequim.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China classificou a operação como uma "flagrante violação do direito internacional".

Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, que capturou o Presidente venezuelano e a mulher, Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

O anúncio foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas.

O líder venezuelano já tinha sido formalmente acusado em 2020 pelo Ministério Público para o Distrito Sul de Nova Iorque, que no sábado apresentou novas acusações junto do mesmo tribunal.

Maduro está acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e crimes relacionados com armas automáticas.

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No sábado, ainda antes da confirmação da captura do Presidente da Venezuela, a diplomacia chinesa já tinha condenado os ataques militares lançados pelas forças norte-americanas contra Caracas.

A China declarou-se “profundamente chocada” com a operação militar norte-americana e condenou o que descreveu como o “uso descarado da força” contra um país soberano.

No entendimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, estas ações violam gravemente o direito internacional, infringem a soberania da Venezuela e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e no Caribe.

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A China, que mantinha uma relação diplomática e económica próxima com a Venezuela, reiterou a oposição a intervenções militares e defendeu os princípios da soberania estatal e da não ingerência nos assuntos internos de outros países.

A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda do líder da Venezuela, reeleito em julho, numa votação contestada pela oposição.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação” com a recente “escalada de tensão na Venezuela”, alertando que a ação militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região.

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina, "de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação".

O tribunal não especificou quando Rodríguez deverá tomar posse.

A tomada de posse do novo parlamento, em funções até 2031 e dominada pelo regime leal a Maduro, estava marcada para segunda-feira.

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