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Cabo Verde cria área de isolamento para eventual assistência ao navio Hondius

Para já, não há necessidade de transferência dos passageiros para unidades hospitalares, sendo que qualquer eventual transporte será reavaliado com o mais elevado nível de segurança.

Cabo Verde criou uma área de isolamento e uma equipa multidisciplinar se for necessário prestar assistência a passageiros ou tripulantes do cruzeiro Hondius, após três mortes no navio associadas a uma síndrome respiratória aguda, anunciou esta segunda-feira o Governo.

Três pessoas com passaporte português em quarentena num cruzeiro em Hong Kong por suspeitas de coronavírus
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Na ilha de Ascensão, um passageiro foi retirado do barco e transportado para os cuidados intensivos, onde permanece, na África do Sul -- sendo este o único caso confirmado de hantavírus.

"O hospital já preparou uma área com capacidade para isolamento, caso seja necessário, demonstrando a nossa capacidade de mobilização e resposta. Foi constituída uma equipa dedicada, com médicos, infecciologistas, enfermeiros e técnicos de laboratório, para dar suporte aos doentes a bordo e, se necessário, também em terra", afirmou a diretora nacional de Saúde, Ângela Gomes.

Para já, indicou que não há necessidade de transferência dos passageiros para unidades hospitalares, sendo que qualquer eventual transporte será reavaliado com o mais elevado nível de segurança.

A responsável destacou que Cabo Verde assegura ter cumprido os protocolos internacionais, ao decidir não autorizar desembarques, nem que o navio atracasse no porto da Praia.

Segundo a mesma fonte, existem três passageiros com sintomas ligeiros, compatíveis com uma síndrome viral comum, estando as amostras recolhidas a ser analisadas em laboratório, tal como a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia adiantado à Lusa, acrescentando que podem vir a ser socorridos por uma ambulância aérea.

Até ao momento, não há confirmação de ligação entre estes casos e a infeção por hantavirus confirmada em laboratório, estando em curso uma investigação.

O trabalho está a ser coordenado entre as estruturas de saúde, portuárias, com o suporte da OMS e em ligação com as autoridades dos Países Baixos, de onde é originário o navio, e do Reino Unido, país de origem de pelo menos uma das pessoas afetadas.

Esta cooperação "tem permitido uma resposta célere e tecnicamente coordenada", incluindo a possibilidade de transferência aérea dos pacientes, disse Ângela Gomes.

As autoridades asseguram que a situação está sob controlo e não representa risco para a população.

O cruzeiro Hondius, de bandeira holandesa, entrou em águas cabo-verdianas no domingo, após notificação internacional de doença respiratória a bordo.

A embarcação transporta 147 pessoas, entre passageiros e tripulação, de 23 nacionalidades.

Um cidadão português integra a tripulação, confirmou fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que não solicitou, até ao momento, assistência diplomática.

O navio fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e as ilhas Canárias, tendo realizado paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

Em declarações à Associated Press (AP), a Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo cruzeiro, informou que o corpo da terceira vítima ainda se encontrava a bordo do navio em Cabo Verde e que a sua prioridade era garantir que dois tripulantes que estão doentes recebiam assistência médica.

A OMS indicou ainda que foi confirmado em laboratório pelo menos um caso de hantavírus, um vírus raro associado sobretudo a roedores.

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