“Raramente me excito com uma joia, porque já mexi em muitas coisas”

“Raramente me excito com uma joia, porque já mexi em muitas coisas”
Vanda Marques 23 de maio

O gemólogo estudou 18 mil pedras preciosas do novo Museu do Tesouro Real, algumas das quais vão poder ser vistas no Palácio da Ajuda. Há mais de 20 anos que lida com joias de todo o mundo.

Já teve nas mãos as pedras mais preciosas do mundo. Mas não é para o valor em euros ou dólares que olha. Aliás, Rui Galopim de Carvalho considera que o lado de avaliação é o mais "maçador". O que o cativa são as pedras. Uma das mais marcantes em que teve a oportunidade de tocar foi o diamante Hope, que está no Museu de História Natural do Instituto Smithsonian, em Washington, DC, avaliado em qualquer coisa como 280 milhões de euros.

Rui Galopim de Carvalho é gemólogo e conta que, sem o apoio da família, teria sido complicado fazer carreira numa área de nicho. Filho de António Galopim de Carvalho, conhecido como "avô dos dinossauros", não lhe seguiu as pisadas. Conta que foi influenciado por ele para seguir Geologia e foi lá que descobriu as pedras. Diamantes, safiras, rubis, pérolas, granadas, o que procura é a qualidade do material. Já analisou peças marcantes da Igreja Católica e de vários museus portugueses. O seu mais recente trabalho foi estudar as mais de 18 mil pedras que se encontram no Tesouro Real, que serão expostas no novo Museu do Tesouro Real, no Palácio da Ajuda, que será inaugurado este ano. 

Descreve a sua profissão como muito semelhante à de um técnico forense, mas também como a de um médico no que toca à privacidade. "É normal termos acordos de confidencialidade e compromissos de honra na minha profissão. É como um médico que não conta as maleitas dos seus doentes. Eu não conto as coisas que vejo a não ser que se tornem públicas."

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