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Os negócios da família Trump no Médio Oriente

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Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão a 28 de fevereiro, matando o aiatola Khamenei e iniciando uma guerra regional. Os objetivos da guerra parecem não estar claros, especialmente os pessoais do presidente norte-americano, que detém vários negócios na região.

Fred Trump, filho de um imigrante alemão, foi um empreendedor imobiliário e empresário responsável por construir prédios de apartamentos para a classe média em Brooklyn e Queens. Mais tarde o seu filho, Donald, foi capaz de construir um império sobre os alicerces dos negócios da família. Atualmente estima-se que a fortuna do presidente dos Estados Unidos seja entre 6,5 e 7,5 mil milhões de dólares, segundo a Forbes e o The New York Times, no entanto, como a sua empresa não tem ações negociadas em bolsa é difícil quantificá-la. 

Donald Trump, Eric Trump e Donald Jr
Donald Trump, Eric Trump e Donald Jr AP Photo/Evan Vucci

Os negócios da família Trump incluem arranha-céus luxuosos, casinos e campos de golfe que não se restringem aos Estados Unidos. O apelido do presidente dos Estados Unidos passou a ser sinónimo de luxo e o império foi fortalecido devido aos laços da família com as monarquias do Golfo Pérsico, região que neste momento está a ser fortemente afetada pela guerra que os Estados Unidos começaram contra o Irão. Empresários e governos da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos pagam para utilizar o nome Trump nas suas propriedades e negócios.  

Trump já deixou claro que, para si, tudo é uma questão de negócio e, apesar de no primeiro mandato ter afirmado que as suas empresas não iriam assinar novos acordos comerciais com outros países para evitar misturar as suas atividades comerciais com o seu papel enquanto presidente, o plano agora é outro: “Percebi que ninguém se importava”, referiu numa entrevista ao The New York Times. A realidade é que os laços comerciais da família Trump com os países do Golfo multiplicaram-se desde 2017, altura em que Donald Trump chegou pela primeira vez à Casa Branca, com os críticos a alertarem para potenciais conflitos de interesses, especialmente tendo em conta que as atividades comerciais privadas dos presidentes dos Estados Unidos não são regulamentadas por lei.  

O impacto da presidencia norte-americana nos negócios familiares

Desde que Trump ganhou as eleições norte-americanas pela primeira vez, em 2017, os seus filhos Donald Jr. E Eric assumiram o controlo da Organização Trump, centro de todo o império empresarial da família e responsável pela expansão para Dubai, Abu Dhabi, Doha, Riad e Jidá.  

As informações recolhidas pela Forbes referem que as empresas da família Trump assinaram pelo menos uma dúzia de acordos com entidades governamentais nos Emirados Árabes Unidos no valor de mais de 500 milhões de dólares, já o The New York Times estima que o seu património líquido aumentou em 1,4 mil milhões e a revista New Yorker calcula que esse valor seja de 4 mil milhões, provenientes principalmente de negócios digitais e criptmoedas.  

A Citizens for Responsibility and Ethics in Washington alertou que é estimado que “Trump obtenha uma fonte de rendimentos enorme e sem precedentes com os seus projetos imobiliários no estrangeiro durante o seu segundo mandato”. Para a organização sem fins lucrativos esse valor deve ultrapassar os 400 milhões de dólares, o que “representaria um aumento anual significativo em relação aos aumentos anuais anteriores, incluindo os mais de 140 milhões de dólares que Trump conseguiu com projetos estrangeiros durante o seu primeiro mandato”.  

Uma prova de que esta relação é realmente próxima é que as primeiras visitas oficiais depois do seu regresso à Casa Branca foram a países do Médio Oriente - Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos - e a família real do Catar ofereceu a Donald Trump um Boeing 747 para substituir o Air Force One. O avião está avaliado em aproximadamente 400 milhões de dólares, mas ainda assim a porta-voz da Casa Branca defendeu: “É francamente ridículo que alguém nesta sala sugira que o presidente Trump esteja a fazer algo em benefício próprio”.  

“A Organização Trump não faz negócios com nenhuma entidade governamental”, defendeu também Kimberly Benza, porta-voz do grupo familiar, em entrevista à CNN. Ainda assim apenas algumas semanas antes da viagem do presidente norte-americano ao Médio Oriente os seus filhos estiveram na região para angariar apoios para a Organização Trump.  

O site da  menciona um projeto futuro para a construção de complexos residenciais e campos de golfe em Riade; outro projeto residencial e hoteleiro no Dubai; novos investimentos em imóveis de luxo e golfe em Doha e um projeto residencial, de golfe e hoteleiro em Wadi Safar.  

No entanto os investimentos de Trump no Médio Oriente não são recentes e os investimentos começaram no início do século quando a capital dos Emirados Árabes Unidos começou a corrida para construir resorts e ilhas artificiais ao longo da costa de Palm Jumeirah, onde fica o Burj Khalifa. Nessa altura a Nakheel Properties contactou Trump para discutir a construção de um novo arranha-céus, na altura o projeto fracassou, mas Trump ganhou vários contactos e foi capaz de desenvolver a base para os seus investimentos na região. Entre eles Hussain Sajwani, proprietário da Damac Properties, e em 2013 os dois magnatas assinaram um acordo para construir o primeiro campo de golfe com a marca Trump no Médio Oriente. Os negócios entre os dois expandiram-se e em janeiro de 2025, uma semana antes de iniciar o seu mandato, Trump recebeu Sajwani na sua casa em Mar-a-Lago, onde foi anunciado que o empresário árabe ia investir 20 mil milhões de dólares nos Estados Unidos em projetos de data centers de inteligência artificial. Poucas semanas depois Trump lançou o Projeto Stargate, através do qual vão ser mobilizados 500 mil milhões de dólares para acelerar a inteligência artificial.  

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