Destaque SÁBADO de 8 de abril de 2020

Luís Champalimaud, a queda de um milionário

O herdeiro de mais de 200 milhões de euros de uma das maiores fortunas portuguesas está em apuros: vendeu fazendas no Brasil, entregou duas herdades icónicas ao BCP e foi parar a um fundo-abutre. O negócio em que o pai foi rei, o cimento, está a ser o fim da herança do filho. Luís mantém a esperança, mas as perspetivas são negras.

A primeira vez que visitou a Herdade do Belo, Luís Champalimaud tinha 9 anos. Naquele dia, algures em 1961, e durante umas longas sete horas e meia, percorreu o Alentejo na parte de trás de um Land Rover, no meio de lavatórios, retretes e materiais de construção variados – o pai, o milionário António Champalimaud, tinha acabado de comprar a propriedade e queria começar a fazer obras o mais depressa possível.

Nessa altura, Luís não sabia ainda que seria ele a herdar aqueles terrenos. Nem sabia que, muitos anos mais tarde, ali organizaria as caçadas de que tanto gosta, com empresários, banqueiros e membros da realeza, como Felipe de Bourbon. E estava longe de imaginar que, precisamente 60 anos depois de os Champalimaud se tornarem donos daqueles 1.600 hectares em Mértola, entregaria a icónica herdade a um banco por causa de uma dívida de milhões de euros – uma dívida gerada pelo negócio em que o pai foi rei, mas que nestes últimos anos empurrou o herdeiro para perto do abismo.


Luís de Mello Champalimaud, 69 anos, era até há pouco tempo dono de uma das maiores fortunas do País, posta acima de 300 milhões de euros nos rankings de milionários regularmente publicados na imprensa. Mas esse património tem sofrido perdas avultadas desde 2017 e a situação financeira de Luís é hoje muito delicada.

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