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As muitas guerras dos irmãos Champalimaud

As muitas guerras dos irmãos Champalimaud
Ana Taborda 08 de dezembro de 2021

Os conflitos entre António, Carlos, Maria Ana e Henrique incluíram insultos, acusações de assaltos e até uma prisão preventiva que durou quatro anos e meio. Chegaram a ter mais de 30 processos em tribunal uns contra os outros. Dois deles morreriam sem nunca voltarem a falar – ainda que tenham estado internados no mesmo hospital.

No dia em que o filho mais velho o acompanhou até à prisão do Limoeiro, em Lisboa, Henrique Champalimaud tinha-se despedido da mulher com um gesto a que ninguém em casa estava habituado. “Foi a primeira vez que o vi dar um beijo na boca à minha mãe”, conta à SÁBADO outro dos seus filhos [teve oito], que prefere não ser identificado. Depois, deu um beijo à criada, despediu-se dos filhos e atirou um “daqui a três meses estou cá”. Acabaria por passar quatro anos atrás das grades, em prisão preventiva.

A detenção de Henrique [a 23 de fevereiro de 1969] foi um dos momentos mais dramáticos da guerra entre os irmãos Champalimaud, que chegaram a ter mais de 30 processos uns contra os outros em tribunal. “Toda a vida ouvi o meu pai dizer: ‘Vou à polícia’ [prestar declarações]. Morávamos ali no Campo Mártires da Pátria e ele ia a pé até à Gomes Freire”, lembra o mesmo filho. De tal forma que, uma vez, no colégio, quando lhe perguntaram a profissão do pai, respondeu: “Não sei, mas acho que trabalha na polícia.” Não trabalhava, mas o caso da Herança Sommer, que se arrastou durante 16 anos e 427 sessões de julgamento, marcaria para sempre a família.

Durante o tempo em que Henrique esteve detido, a sua primeira mulher, Madalena, chegou a levar-lhe cerveja. “A minha mãe introduziu as primeiras cervejas no sistema prisional português. Começou a importar cerveja sem álcool da Dinamarca ou da Noruega, porque ainda não se vendia cá, e conseguiu que a prisão aceitasse”, diz o mesmo filho.

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