Regulador do mercado deixa cair o último obstáculo à operação que estabiliza financeiramente a dona da SIC e do Expresso. Multinacional controlada pela família Berlusconi torna-se no segundo maior acionista, mas não nomeia administradores executivos. Francisco Pedro Balsemão continuará a liderar a gestão.
A multinacional italiana MFE – Media for Europe, controlada
pela família Berlusconi, concretizou hoje a entrada no capital do maior grupo
de comunicação social português, a Impresa. A confirmação oficial, feita hoje à
tarde pela dona dos canais SIC e do Expresso, surge depois de o regulador do
mercado financeiro ter levantado um último obstáculo potencial à operação. A
MFE passa a ser o segundo maior acionista e Francisco Pedro Balsemão continuará
a ser o administrador executivo do grupo e sucederá ao seu pai Francisco Pinto
Balsemão – que morreu em outubro passado – como presidente do conselho de
administração.
Os dois sucessores de titãs dos media, Francisco Pedro Balsemão e Pier Silvio BerlusconiDuarte Roriz e AP
“Esta operação permitirá à dona da SIC e do Expresso ter um
parceiro internacional, sólido e do setor dos media, com ambições de
crescimento pan-europeu e com a mesma paixão pela comunicação social”, anunciou
hoje à tarde fonte oficial da Impresa.
A conclusão oficial do negócio põe um fim a mais de um ano e meio
de diálogo e meses de negociações intensas, num contexto de forte pressão
financeira sobre a Impresa. Tendo sido alcançado em novembro o difícil entendimento
entre as posições das duas famílias, Balsemão e Berlusconi, a reta final concretizou-se como a Impresa
e a MFE esperavam: o regulador CMVM não obrigou os italianos a lançar uma
Oferta Pública de Aquisição sobre a maioria do capital do grupo de comunicação
social português. Outro obstáculo menor, uma ação judicial contra a entrada da
MFE, posta por um acionista minoritário sem rosto e com sede no Panamá, não é
visto com preocupação, segundo apurou a SÁBADO junto de fonte conhecedora da
operação.
Tal como a SÁBADO noticiou, o controlo da Impresa continuará
a ser exercido pela Impreger – dominada pelos cinco filhos de Pinto Balsemão –,
cuja posição acionista que passa de 50,01% para 33,738%. “O envolvimento
contínuo da família Balsemão será fundamental para impulsionar a direção
estratégica da Impresa e enfrentar os desafios que se avizinham”, apontou o
grupo italiano MFE num comunicado. Além da manutenção de Francisco Pedro (o
filho mais novo de Balsemão) à frente do grupo, há a do administrador
financeiro Pedro Barreto (vice-presidente) – os italianos não nomeiam nenhum
administrador executivo. Ricardo Costa é uma das pessoas que entra para o
Conselho de Administração da Impresa.
A MFE tornou-se acionista através de um aumento de capital
de cerca de 17,3 milhões de euros, numa transação que avaliou as ações da
empresa em 21 cêntimos (a cotação bolsista da Impresa fechou hoje em 19 cêntimos). O gigante europeu dos media fica com 32,9% e coloca três administradores não-executivos (Michele
Giraudo, Massimiliano Ventimiglia e Massimo Musolino) no conselho de
administração da Impresa, incluindo um (Musolino) no conselho de auditoria.
O grupo italiano é o segundo maior grupo na Europa (tem um volume de negócios 16 vezes superior ao do grupo português) e a entrada no capital da Impresa é determinante
para mitigar a intranquilidade dos seus principais credores bancários (o BPI e
o Novo Banco), assim como a pressão considerável que exerceram ao longo de 2025 sobre a
tesouraria da empresa. O negócio não envolveu à cabeça um acordo para a
reestruturação pura e dura dívida bancária, como noticiou a SÁBADO.
Apesar de não ter o controlo executivo da Impresa, a
dimensão e a sua importância do ponto de vista financeiro conferem ao novo acionista uma
influência natural e importante. Nos bastidores da transação, como já noticiou a SÁBADO,
não se descartava um eventual passo futuro dos italianos no sentido de assumirem o
controlo efetivo do grupo.
A MFE tem como administrador executivo Pier Silvio
Berlusconi – filho do político e empresário italiano Sílvio Berlusconi – e está
presente em Itália, Espanha e na Alemanha. A multinacional tem explicado o
investimento em Portugal como parte da sua estratégia de construção de uma
plataforma pan-europeia, capaz de competir em tamanho com os novos concorrentes no
mercado do streaming.
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