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Justiça britânica abre processo de 2,3 mil milhões de euros contra Playstation

Lusa 10 de março de 2026 às 16:24
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Empresa Sony é acusada de abusar da sua posição dominante para cobrar preços excessivos.

A justiça britânica abriu esta terça-feira em Londres um processo de 2,31 mil milhões de euros contra a empresa Sony, acusada de abusar da sua posição dominante para cobrar preços excessivos aos jogadores da Playstation no Reino Unido.

Playstation acusada de preços excessivos em jogos digitais
Playstation acusada de preços excessivos em jogos digitais Foto de Al Powers/Invision/AP

"Depois de comprar uma Playstation, o consumidor não tem outra escolha a não ser comprar jogos digitais à Sony. E a Sony abusou dessa posição, cobrando preços excessivos", resumiu a especialista em direitos do consumidor Alex Neill, que iniciou a ação, à agência de notícias AFP.

A 'Playstation Store' é a loja digital oficial onde os jogadores podem comprar os clássicos da Sony, do 'Gran Turismo' a 'God of War', mas também produções de outros estúdios, como 'Call of Duty', 'GTA' ou 'Assassin's Creed'.

"A Sony implementou uma estratégia destinada a excluir toda a concorrência real e potencial dos mercados de distribuição digital", afirmou um dos advogados dos queixosos, Robert Palmer, na abertura do julgamento.

Os queixosos salientaram hoje que o jogo 'Assassin's Creed Shadows' para a Playstation 5 (PS5) está à venda por quase 70 libras (80,87 euros, ao câmbio atual), o dobro do preço do jogo físico na loja britânica de tecnologia Curry's.

"Isto não faz sentido quando comparado com o mercado dos livros, onde o livro em papel é sempre mais caro do que o livro digital", afirmou Neill.

Os queixosos denunciam, nomeadamente, uma comissão de 30% sobre as compras, que também pesa sobre o conteúdo adicional nos jogos, e afirmam ter constatado comissões mais baixas noutras plataformas online, nomeadamente para PC.

A queixa, no valor de dois mil milhões de libras, é apresentada em nome de cerca de 12,2 milhões de pessoas. Este tipo de processo inclui, por defeito, todos os clientes potencialmente afetados, a menos que estes se retirem voluntariamente.

Por seu lado, a Sony considera que, se se tiver em conta o sistema como um todo, ou seja, o preço da consola e dos jogos, "fica claro que a rentabilidade do sistema PlayStation está longe de ser excessiva", de acordo com o seu argumento jurídico transmitido à AFP.

"Os seus conteúdos digitais são oferecidos a níveis semelhantes aos praticados noutras plataformas e (...) a preços comparáveis aos dos discos. Se não fosse esse o caso, os consumidores e os editores iriam simplesmente procurar noutro lado", acrescenta a empresa.

Os queixosos salientam que "outros processos estão em curso" contra a Sony em todo o mundo, incluindo Portugal.

Natasha Pearman, uma das advogadas, cita, além Portugal, os Países Baixos e a Austrália.

"Trata-se, portanto, em essência, de uma estratégia global que foi adotada" pelo gigante tecnológico, referiu.

Num caso semelhante em Londres, a empresa norte-americana Apple perdeu em outubro um processo judicial devido às comissões consideradas excessivas na sua loja de aplicações, o que poderá levá-la a ter de reembolsar milhões de utilizadores.

O grupo afirmou que tencionava recorrer da decisão.

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