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Elon Musk perde em tribunal em processo contra Sam Altman e OpenAI

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O líder da Tesla acusava o fundador da empresa do ChatGPT de trair a promessa de manter a OpenAI como uma empresa sem fins lucrativos.

Um tribunal norte-americano rejeitou as alegações de Elon Musk de que a OpenAI, sob a liderança de Sam Altman, teria traído a sua missão de beneficiar o público ao transformar-se numa empresa com fins lucraticos, considerando que o CEO da Tesla demorou demasiado tempo a apresentar uma queixa formal contra a empresa. 

Elon Musk
Elon Musk AP Photo/Godofredo A. Vásquez

O veredito foi lido esta segunda-feira por Yvonne Gonzalez Rogers, juíza distrital dos EUA, que concordou com a decisão do júri consultivo de que Altman e a OpenAI não poderiam ser considerados responsáveis neste caso. O advogado principal de Musk, Steven Molo, ainda não anunciou se o seu cliente vai recorrer, embora tenha dito à juíza que está a avaliar os próximos passos. 

"Penso que há provas substanciais que corroboram as conclusões do júri", considerou Yvonne Gonzalez Rogers ao aceitar a decisão dos nove membros do júri, que votaram unanimemente para rejeitar as alegações de Elon Musk, após duas horas de deliberações. O processo esteve em tribunal durante três semanas e, além dos testemunhos do CEO da Tesla, de Altman e do presidente da OpenAI, Greg Brockman, também foram analisadas centenas de mensagens, emails e documentos internos. 

Antes amigos próximos, a relação entre Musk e Altman começou a azedar em 2017, quando o CEO da OpenAI e outros membros fundadores da startup estavam a considerar a criação de uma subsidiária com fins lucrativos para apoiar a empresa - o que acabou por acontecer apenas no ano passado. Em cima da mesa estava a ideia de dar a Musk uma participação maioritária nesta subsidiária, dando-lhe controlo quase absoluto sobre as operações da mesma. No entanto, a proposta acabou por ser abandonada.

Ele percebe de foguetões e percebe de carros elétricos. Mas ele não percebia – e acredito que continua a não perceber – de IA.

Greg Brockman, presidente da OpenAI

Em tribunal, Musk e Altman pintaram retratos bastante contraditórios sobre os anos do também líder da SpaceX e do xAI na OpenAI - bem como do período que se seguiu. A equipa legal do homem mais rico do mundo afirmou mesmo que o CEO e o presidente da dona do ChatGPT "roubaram uma instituição de caridade" quando decidiram reestruturar a startup, com o magnata a ir mais longe e a declarar que foi "um tolo ao conceder-lhes financiamento gratuito para criarem uma empresa".

Do lado da OpenAI, os advogados da tecnológica retrataram Musk como um "rival invejoso" que abandonou a startup quando lhe foi negado o controlo total sobre o futuro da empresa. Apontaram ainda para a decisão do CEO da Tesla de criar uma empresa concorrente, a xAI - com fins lucrativos -, como prova de que o magnata não estava realmente preocupado com a missão da OpenAI de beneficiar o público. 

O presidente da startup menosprezou ainda o conhecimento técnico de Musk sobre a tecnologia de inteligência artificial (IA). "Ele percebe de foguetões e percebe de carros elétricos. Mas ele não percebia – e acredito que continua a não perceber – de IA", atiçou Greg Brockman, em tribunal.

Este veredito ganha especial relevância numa altura em que a OpenAI está a preparar uma entrada em bolsa, uma vez que elimina um grande risco jurídico que poderia impedir a empresa de se orientar para atividades comerciais. A dona do ChatGPT quer avançar com uma potencial oferta pública inicial ainda este ano, embora os planos possam resvalar para 2027, com uma avaliação estimada em cerca de um bilião de dólares.