Dolores Aveiro, um nome que já vale milhões

Raquel Lito , Sónia Bento 02 de dezembro de 2019

Tanto faz acordos com a Maggi, como com a Planta ou as bananas da Madeira. Chega a cobra 100 mil euros por publicidade. Como chegou até aqui?

A tômbola do sorteio de Dolores fica numa área da praça da alimentação do shopping Marina, no Funchal, a três minutos a pé do museu CR7. Vai girar à hora de almoço de quinta-feira (dia 31), no restaurante típico Cascatas e Girassóis, da matriarca do clã Aveiro. E repetirá a dose no fim de todos os meses. O prémio? Uma camisola autografada pelo filho, Cristiano Ronaldo, de forma a aumentar (ainda mais) a clientela. Apreciadores de ensopado de ervilhas (o prato com mais saída), fãs do craque da Juventus, ou simpatizantes da mãe enchem as mesas àquela refeição. "Quanto mais investimento [ela] trouxer para a Madeira, melhor. Além de que cria postos de trabalho", diz à SÁBADO o primo Nuno Viveiros. Maya, apresentadora da CMTV, que se cruzou com ela no Madeira Fashion Weekend, em junho, não tem dúvidas de que é "a figura mais popular e amada" na ilha, a seguir ao craque: "Anda por todo o lado. É uma mulher autêntica, a quem o estatuto não trouxe arrogância."

Depois da caminhada diária que a ajudou a perder 25 quilos - e não, não pôs botox no rosto, o rejuvenescimento da pele deve-se à maquilhagem profissional -, a recém-empresária, de 64 anos, vai almoçar ao seu restaurante, de cozinha exposta e menu criado pela própria. Mas o sucesso nos tachos é somente uma peça da engrenagem de fazer milhões: porque Dolores Aveiro revela-se, sobretudo entre 2018 e 2019, uma máquina de publicidade (desde a banana da Madeira, a primeira em 2016; passando pela margarina Planta, a decorrer até novembro; aos caldos Maggi; células estaminais BebéCord; Fábrica dos Óculos; até ao dueto com Tony Carreira para o Continente; e à linha de azeites e vinhos com o seu nome, da Queijaria Nacional, à venda no Corte Inglés). Por campanha recebe cerca de 100 mil euros, confirmou a SÁBADO junto de várias fontes. Depois investe em património imobiliário (tem casa no Funchal, no Parque das Nações, em Vilamoura e outros imóveis).

A juntar ao bolo, há os fenómenos editoriais. Não interessa se Dolores tem falta de habilitações académicas, nem tão-pouco se escreve de forma simples como atestam os posts do Instagram. É precisamente este o trunfo. Assim se explica que um livro de culinária de 116 páginas, feito a meias com a filha Kátia (As Receitas da Minha Querida Mãe), numa cozinha do grupo de publicações Impala, ultrapasse os sete mil exemplares vendidos. Já a biografia Mãe Coragem, editada pela Matéria-Prima em 2015, não foi escrita por ela mas revela a sua vida. Vai na quarta edição, 15 mil exemplares vendidos, e está traduzida em espanhol, francês e... português do Brasil. O autor Paulo Sousa Costa conta à SÁBADO como chegou até ela: "Foi a Kátia que fez a ponte quando eu lhe disse que gostava de escrever a história dela. A Dona Dolores disse logo que sim, apesar de ter ficado um pouco temerosa porque há histórias que ela não queria recordar. Houve lágrimas e muitas gargalhadas. Ela é muito positiva e esse terá sido o segredo."

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Opinião Ver mais