Casas: o primeiro tiro de aviso do Banco de Portugal

Casas: o primeiro tiro de aviso do Banco de Portugal
Bruno Faria Lopes 06 de junho de 2018

Em apenas seis meses, o supervisor muda de discurso: os preços das casas dão “sinais de alguma sobrevalorização”. A mensagem é clara: este é um mercado com risco.

O Banco de Portugal mudou de discurso sobre o mercado imobiliário. Há apenas seis meses, numa secção do Relatório de Estabilidade publicado em Dezembro de 2017, o supervisor da banca concluía "pela não existência de sobrevalorização dos preços da habitação em Portugal". A instituição abria uma salvaguarda para a sua conclusão – a análise "não permite afastar a possibilidade de existirem apreciações excessivas em determinadas áreas geográficas, nomeadamente em grandes centros urbanos" – mas a mensagem que passou foi clara: não há bolha.

Mas o trabalho de análise não contava com os dados do exuberante segundo semestre desse ano. Com esses dados na mão, o Banco de Portugal adopta agora outro tom, revelado no Relatório de Estabilidade hoje publicado. "Na segunda metade de 2017 começaram a existir sinais de alguma sobrevalorização dos preços do mercado imobiliário residencial em Portugal", indica.

Consciente do peso da sua palavra, o Banco de Portugal faz o aviso salvaguardando que "as indicações de sobrevalorização dos preços no mercado imobiliário residencial em termos agregados [são] muito limitadas". Mas é a primeira vez, no ciclo de recuperação dos preços das casas que começou em 2013, que a instituição admite sobreaquecimento nos preços – e que se junta a outras, como o FMI, que já fizeram o aviso. A mensagem, por agora, é esta: a manutenção do ritmo de crescimento (32% em termos nominais entre o terceiro trimestre de 2013 e o terceiro trimestre de 2017) "pode implicar riscos para a estabilidade financeira."

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