Sábado – Pense por si

Miriam Assor
Miriam Assor
10 de janeiro de 2026 às 22:26

Da Independência à Dependência

A Marques Mendes falta-lhe a franqueza: é social-democrata, apoiado pelo governo social-democrata, o que não invalida que será, aliás, seria, o presidente de todos os portugueses.

Com amigos da fineza do primeiro-ministro torna-se dispensável ter inimigos. O apoio do primeiro-ministro a Marques Mendes tem servido de pá para colocar a sete palmos abaixo da terra a sua frágil candidatura presidencial. Desde que deu a quase bênção, a descida nas sondagens é calibrada ao ritmo da manteiga, e o tombo do homônimo do primeiro-ministro vê-se significativo. Luís Marques Mendes ralado com a evidência; reafirma independência e promete ser um presidente isento e pronto a trabalhar com qualquer cor governamental. Acorde do sonho frito em óleo passado. Calçou luvas vermelhas de boxe para dar uns murrinhos no ar, fez, tentou fazer, ginástica com idosos de forma física recomendável, dançou música popular ao estilo Vivaldi. Pode fazer, inclusive, o pino, como Cotrim Figueiredo. É pouco, é nada, é o vazio.

Dificilmente chegará à segunda volta do carrossel eleitoral. Temos pena. Os números, que já não se apresentam simpáticos, passaram a ser coitados. As sirenes cor de laranja dispararam. Deputados e autarcas do PSD foram chamados para dar o abraço público ao candidato que, um dia, já presidiu o partido, por muito que o próprio queira varrer para debaixo do tapete esse gigante detalhe. É estranho, é estranho, duas vezes para ecoar mais depressa, que o governo, na pessoa do seu chefe, só apareça quando a possibilidade de Marques Mendes sentar-se em Belém entra de cabeça pelo canudo. Veio tarde e veio mal. O amparo de Luís Montenegro a Luís Marques Mendes. Se queria subscrever, que exteriorizasse logo. Escusava Marques Mendes de dizer e repetir ser independente. Não é, nunca foi, nem será. O que não traduz desgraça nenhuma, senhores. Soares e Sampaio, de bendita memória, souberam ser Presidente de Portugal sem nunca fugir à sua origem para açambarcar votos de ângulos fora do Partido Socialista. Esta elegância de honestidade não é dirigida a quem só sabe trás para a frente leis e decretos leis e promulgação de leis, quais os poderes da intervenção política e condições para conceder indultos, ou forma de fiscalizar a constituição. Conhecer unicamente a arquitetura presidencial é insuficiente para alguém ser a primeira figura do estado. A Marques Mendes falta-lhe a franqueza: é social-democrata, apoiado pelo governo social-democrata, o que não invalida que será, aliás, seria, o presidente de todos os portugueses.

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