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BBC vai cortar 550 postos de trabalho numa primeira fase de plano de reestruturação

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A estação pública britânica vai encerrar programas, rever canais e reduzir equipas em várias áreas. O plano global poderá eliminar até 2.000 empregos nos próximos três anos.

A BBC anunciou, esta quarta-feira, o corte de cerca de 550 postos de trabalho numa primeira fase do seu plano de reestruturação, que visa poupar 500 milhões de libras – aproximadamente 585 milhões de euros – nos próximos três anos. A medida afeta sobretudo as áreas de notícias, conteúdos, televisão, rádio e operações nas nações e regiões do Reino Unido, e surge poucas semanas depois da entrada em funções de Matt Brittin, antigo executivo da Google, como diretor-geral.

A empresa deverá rever o seu portefólio de canais televisivos e redes de rádio
A empresa deverá rever o seu portefólio de canais televisivos e redes de rádio Associated Press

O pacote agora anunciado deverá representar o equivalente a 187 milhões de euros desse total. Em paralelo, a BBC prevê cortar cerca de 94 milhões de euros no orçamento de encomendas de conteúdos das áreas de Content, News e Nations ("Conteúdos, Notícias e Nações") no exercício de 2027-28.

A estação prevê ainda novas medidas nos próximos meses. Além dos 550 postos agora identificados, deverão ser cortadas cerca de 700 funções em divisões corporativas, incluindo áreas administrativas e de suporte. A direção pretende também reduzir em pelo menos 10% o número de cargos de liderança sénior. No conjunto do plano, a perda total de empregos deverá situar-se entre 1.800 e 2.000 postos até 2029.

A reestruturação terá impacto direto na programação. Na Radio 4, The World Tonight, programa de informação emitido há mais de 50 anos, será terminado. Também deverão deixar de ser emitidos Midnight News, Money Box Live, AntiSocial, The Law Show e Crossing Continents. No BBC World Service, estão previstos cortes em The Inquiry, The Conversation e The Fifth Floor.

Na televisão, a edição de domingo do BBC Breakfast deixará de ser transmitida na BBC One a partir de setembro, sendo substituída por uma emissão simultânea do canal BBC News. As equipas de produção dos programas Sunday with Laura Kuenssberg e Newsnight serão fundidas, passando este último para um horário de maior audiência às sextas-feiras, mantendo o formato remodelado. No Today, da Radio 4, o número de apresentadores permanentes será reduzido de cinco para quatro, e a edição de sábado passará a ter apenas um apresentador.

A BBC vai também rever as funções dos seus principais apresentadores de notícias, dos editores em antena e de alguns cargos criados especificamente para plataformas sociais. Numa mensagem interna citada pela , Jonathan Munro, responsável interino pela BBC News and Current Affairs, afirmou que a revisão dos chamados chief presenters (principais apresentadores) pretende garantir “o número certo de apresentadores”, usados de forma mais flexível e eficiente.

O diretor-geral Matt Brittin justificou as medidas com a necessidade de tornar a BBC “mais simples e mais rápida”, reduzir duplicações e acompanhar a deslocação das audiências para plataformas digitais. A empresa deverá rever o seu portefólio de canais televisivos e redes de rádio, num momento em que parte significativa do consumo audiovisual se desloca para streaming, YouTube e redes sociais.

A divisão de notícias deverá estar entre as áreas mais afetadas. Antes do anúncio formal, o jornal  já noticiava que a BBC News, que emprega cerca de um quarto dos trabalhadores da organização, enfrentaria uma redução superior à meta média de 10% definida para o conjunto da empresa. Segundo o jornal, os responsáveis internos tinham indicado aos trabalhadores que a área de notícias poderia ter de cortar cerca de 15% dos seus custos.

A confusão em torno dos valores resulta da forma como a própria BBC tem vindo a apresentar a sua estratégia financeira. Em março, no plano anual para 2026-27, a empresa indicou que pretendia reduzir em mais 10% a sua base de custos de serviço público até março de 2029. Alguns meios traduziram essa meta como uma poupança potencial de até 600 milhões de libras, tendo em conta uma base de custos próxima dos 6 mil milhões de libras (6,93 mil milhões de euros, aproximadamente). O valor, no entanto, fica agora nos 500 milhões de libras.

A pressão financeira não é nova. Segundo o  – o órgão encarregado de fiscalizar a legalidade e a regularidade das contas públicas britânicas –, a BBC já tinha em curso um programa de eficiência iniciado em 2022, com o objetivo de gerar 809 milhões de euros em poupanças até 2027-28. A esse esforço, soma-se agora a nova redução de 10% da base de custos, num contexto marcado pelo aumento dos custos de produção, pela inflação, pela quebra real da receita da taxa de televisão e pela mudança dos hábitos de consumo.

Os sindicatos reagiram de forma crítica. Philippa Childs, dirigente da Bectu, sindicato britânico dos trabalhadores dos media e entretenimento, afirmou que os cortes chegam num momento particularmente sensível, durante o processo de renovação da Carta Real da BBC, e alertou para o risco de enfraquecimento da missão de serviço público da estação. Por sua vez, o Equity, sindicato que representa profissionais das artes performativas e do entretenimento no Reino Unido, e avisou que podem comprometer a capacidade da BBC de cumprir o seu mandato de informar, educar e entreter.

O plano decorre numa fase decisiva para o futuro institucional da BBC. A atual Carta Real, que define a missão, obrigações e enquadramento da estação pública britânica, termina no final de 2027. A negociação do próximo modelo de financiamento deverá decorrer em paralelo com a execução das novas poupanças, incluindo a discussão sobre a manutenção da taxa de televisão ou a adoção de alternativas como subscrição, publicidade ou outros modelos de financiamento.

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