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Redação Multimédia da RTP denuncia “ambiente tóxico”. Editora-executiva sai após polémica

Em resposta a uma carta aberta com denúncias, a direção de informação rejeita as acusações da equipa e confirma pedido de Ana Sofia Freitas para cessar funções.

A redação Multimédia da RTP denunciou a existência de um “ambiente tóxico” numa carta aberta enviada ao Conselho de Redação, apontando à editora-executiva Ana Sofia Freitas comportamentos de intimidação, humilhação e má gestão da equipa. A carta foi enviada após uma reunião marcada pelo diretor de informação, Vítor Gonçalves, que contou com a sua presença e da diretora-adjunta, Maria de São José.

Redação Multimédia da RTP acusa editora-executiva de comportamentos "agressivos"
Redação Multimédia da RTP acusa editora-executiva de comportamentos "agressivos" Alexandre Azevedo/Medialivre

Segundo o documento, ao qual a SÁBADO teve acesso, foram vários os episódios de bullying protagonizados pela editora-executiva “em particular com os coordenadores da equipa e que a equipa vê como tentativas de intimidação, procura de humilhação e manifestação escusada de poder”.

Os coordenadores Ana Sofia Rodrigues, Carlos Neves, Paulo Amaral e Andreia Martins – quatro dos 13 signatários da carta aberta - alegam que foram alvo de “provocações e tentativas de amesquinhamento presenciadas pelos restantes membros da redação”, lê-se no documento. As acusações passam ainda pela “incapacidade de comunicar com a equipa e de transmitir diretivas com calma e urbanidade”, criando "um ambiente que se tornou tóxico como nunca aconteceu em duas décadas e meia de existência da Redação Multimédia”.

Os comportamentos de Ana Sofia Freitas são descritos na carta como “agressivos e audíveis”, situações que “nos últimos meses levaram a mais do que uma intervenção do diretor de informação, com a promessa de Vítor Gonçalves de intervir e falar com a editora-executiva para resolver o problema". Os jornalistas signatários relatam também a frequente ausência da Ana Sofia Freitas da redação em determinados períodos, “uma marca de água da editora-executiva", além da recusa em assumir funções de coordenação, “delegando nos elementos mais novos da equipa essa tarefa”.

“Acresce a este relato o facto de a redação desconhecer o trabalho realizado pela editora-executiva", denunciam os jornalistas, acrescentando que o diretor de informação “considera correto que esta não se envolva no trabalho diário”, por não ser essa “a sua função".

Direção rejeita “juízos coletivos que colocam em causa a idoneidade profissional”

A SÁBADO teve também acesso à resposta da direção de informação a esta carta. Num email assinado por Vítor Gonçalves, lê-se que a direção de informação “não aceita o teor da carta aberta da redação multimédia” e que “divergências editoriais, exigência de uma resposta mais rápida ao ritmo dos acontecimentos e eventuais questões de comunicação entre a equipa não podem ser confundidas com situações de outra natureza”. Em defesa de Ana Sofia Freitas, a direção rejeita também “juízos coletivos que colocam em causa a idoneidade profissional da editora-executiva", assumindo “que a gestão editorial e a organização das equipas são da responsabilidade da direção de informação”.

Nesta comunicação ficou também a conhecer-se o pedido da editora executiva para “cessar as funções que vinha a exercer”, uma vez que não estariam “reunidas as condições para prosseguir o seu trabalho”. Pedido esse que foi aceite pela direção.

A SÁBADO tentou contactar Vítor Gonçalves e Ana Sofia Freitas para recolher o contraditório a todas as acusações, mas até à publicação deste artigo não obteve respostas.

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