Os maiores acumuladores de cargos nas empresas

Os maiores acumuladores de cargos nas empresas
Bruno Faria Lopes 15 de outubro de 2019

Juntar mais do que quatro cargos é regra nas maiores empresas portuguesas (e lá fora). A tendência de reduzir a acumulação, que tem riscos, ainda não chegou cá.

Quando Alexandre Soares dos Santos me convidou em 2013 para ser administrador do grupo Jerónimo Martins, estava eu ainda como embaixador em Paris, perguntei-lhe ‘porque é que me está a convidar? Eu não sei nada de retalho’", relembra Francisco Seixas da Costa. Em abril desse ano, já reformado da carreira diplomática, Seixas da Costa aceitou o cargo. E, em pouco tempo, chegaram mais convites.

Três anos depois foi para administrador não executivo de outra empresa cotada na Bolsa, a EDP Renováveis; em maio do ano passado foi eleito administrador não executivo de outra ainda, a construtora Mota-Engil. Pelo meio, em 2017, foi indigitado pelo Governo para o Conselho Independente da RTP. Ao longo deste período foi acumulando estes cargos com outras atividades, como a presidência do Conselho Consultivo Internacional da Fundação Gulbenkian, a presidência do Conselho Assessor de uma consultora de renome (a A.T. Kearney), aulas na Universidade Lusófona e colunas na imprensa. Como consegue ter disponibilidade para ser administrador não executivo de três grandes empresas cotadas em Bolsa?

Seixas da Costa, 71 anos, desvaloriza o impacto da acumulação. "Os lugares de não executivo não são das nove às cinco, nem implicam presença diária na sede das empresas", afirma. "Há quatro a cinco reuniões por ano, por vezes nem isso." E recebe por reunião. Antes das reuniões a administração executiva - os gestores que efetivamente gerem o dia a dia das empresas - envia documentação sobre as reuniões, que é estudada "a montante", diz o embaixador. O calendário anual de reuniões é fixado logo no início do ano. Seixas da Costa foi aprendendo sobre negócios tão diferentes como a grande distribuição, a energia e a construção, mas admite que não está ali pelo que sabe sobre cada setor. "Estamos ali pela nossa credibilidade prévia à entrada nas empresas, criada na nossa profissão", diz. O seu contributo, conta, é essencialmente de avaliação de risco estratégico nas empresas multinacionais para que trabalha: "Avaliação dos riscos dos mercados, olhar para a situação internacional e dar uma avaliação de natureza estratégica global."

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