O que devemos chamar às diferentes variantes da covid-19?

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Diogo Camilo 19 de janeiro
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Numa altura em que as várias variantes se espalham por todo o mundo, definir um tipo de vírus como "do Reino Unido" ou "da África do Sul" já não é suficiente. Todas são diferentes formas do vírus que provoca a covid-19, mas a OMS ainda não arranjou uma maneira consensual de as diferenciar através do nome.

O fim da segunda vaga da covid-19 (ou será o início da terceira) trouxe novas variantes do vírus, mas cientistas estão com dificuldades na sua nomenclatura. Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) dedicou uma reunião apenas às novas variantes do coronavírus, como as que foram localizadas no Reino Unido, Brasil e África do Sul, para que autoridades de saúde e investigadores comecem a utilizar um novo sistema de nomes para estas mutações do vírus da covid-19.

Só em Portugal, de acordo com o site SARS-CoV-2 Lineages, que recolhe a informação sobre diferentes linhagens através de dados da base de dados Gisaid, são mais de duas mil as diferentes sequências genéticas do vírus da covid-19 identificadas. O Reino Unido, o país onde foram identificadas mais sequências, registou mais de 155 mil.

Todas estão ligadas ao mesmo - o vírus SARS-CoV-2. Por isso, quando uma variante foi identificada no final do ano passado no Reino Unido, foi-lhe dado o nome de VUI 202012/01 (Variant Under Investigation - Variante em Investigação - 202012/01), referente ao dia em que foi identificada: 1 de dezembro de 2020. Depois de ser considerada perigosa, foi novamente nomeada: VOC 202012/01, Variante de Preocupação - Variant of Concern, em inglês - 202012/01. 

No entanto, rapidamente passou a ser conhecida como B.1.1.7 para o mundo científico devido às suas linhagens evolucionárias, como "variante do Reino Unido" para os meios de comunicação mundiais e para os britânicos é vulgarmente chamada de "variante de Kent" - um pequeno condado onde ocorreu o primeiro surto da mesma.

E a própria OMS admite: "Todos estamos a ficar um pouco confusos com os diferentes nomes de variantes". 

O sistema de nomenclatura mais utilizado por cientistas que chama à variante do Reino Unido de B.1.1.7 refere-se às descendências de evolução da covid-19 ao longo das suas linhagens, em que cada número se refere a um subgrupo diferente do anterior. E não incluem países ou regiões no seu nome. A "variante do Reino Unido" ou "variante de Kent" já foi identificada em mais de 50 países e Portugal já registou dezenas de casos, e existem ainda dados concretos de que seja originada no Reino Unido, apenas de que foi identificada pela primeira vez em solo britânico.

O mesmo acontece com a "variante da África do Sul" - a B.1.351 -, que entretanto foi identificada em mais 12 países: Reino Unido, Botswana, Austrália, Alemanha, Irlanda, Suíça, França, Finlândia, Países Baixos, Coreia do Sul, Noruega e Suécia.

Já a "variante do Brasil" é a B.1.1.28, cujo genoma já foi identificado por 779 vezes desde 5 de março do ano passado, com 1% destas identificações a ter acontecido em Portugal. 

Esta terça-feira, a revista científica Nature descreveu as orientações como "urgentes", num artigo onde refere que até a OMS chegar a um sistema de nomenclatura têm de ser investigadores a escolherem os nomes das suas descobertas, enquanto meios de comunicação e organizações nomeiam variantes de acordo com os países onde são identificadas para preencher o vazio deixado pela Organização Mundial de Saúde.
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