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Hantavírus: nova pandemia ou alarme exagerado?

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Vírus, que já matou três pessoas que seguiam a bordo de um cruzeiro e infetou outras oito, está a levantar preocupações. Há quem questione se podemos estar perante uma nova pandemia. O médico Nuno Alegria explica o que devemos esperar.

O hantavírus, que já provocou a morte de três pessoas que seguiam a bordo do cruzeiro MV Hondius, e a infeção de , está já a levantar algumas preocupações. "Outra pandemia a caminho", escreveu um utilizador na rede social X. 

Profissionais de saúde retiram pacientes do navio de cruzeiro MV Hondius para uma ambulância
Profissionais de saúde retiram pacientes do navio de cruzeiro MV Hondius para uma ambulância Foto AP/Misper Apawu

Embora a Organização Mundial de Saúde tenha informado esta terça-feira que acredita que a transmissão ocorreu de pessoa para pessoa através da estirpe "cepa Andes", a mesma entidade lembrou que esta variante é "extremamente rara" e que, por isso, é improvável que se transforme numa pandemia como a covid-19. A mesma opinião foi partilhada pelo médico Nuno Alegria em declarações à SÁBADO

"Parece-me improvável que tal venha a acontecer, até porque o número de casos tem-se mantido mais ou menos estável", afirmou. "Tudo leva a crer que estamos a falar de uma transmissão não muito fácil. Não é como a covid-19. Por isso, a possibilidade de a adquirir é improvável."

Acontece que a mulher holandesa, que seguia a bordo do navio e morreu devido à contração deste vírus, já tinha viajado num a bordo. O cenário levantou preocupações sobre uma possível transmissão e levou as autoridades a realizar buscas pelos restantes passageiros.

"O contágio depende da carga viral e das partículas que são necessárias para infetar, mas a transmissão por norma ocorre por vias respiratórias e pode acontecer, por exemplo, quando levamos as mãos à boca", explica Nuno Alegria ao sublinhar que o cenário é semelhante ao da covid-19.

Na opinião do médico, o caso torna-se, no entanto, mais preocupante no caso do cruzeiro, onde a mulher infetada viajou com outras 150 pessoas. "Dentro do barco teve em contacto com muitas mais pessoas e mesmo assim o número de casos não explodiu de forma considerável", recordou.

Entre os infetados está, por exemplo, um médico que seguia a bordo do navio e que se encontra agora em "estado grave". Questionado sobre se a infeção do profissional de saúde não poderá ser sinónimo de um cenário grave, Nuno Alegria supôs: "Se calhar, numa fase inicial não passou pela cabeça do médico que poderia estar perante um novo vírus. Provavelmente até admitiu que podia estar perante um caso de gripe, até porque os sintomas iniciais não são de grande gravidade: começa como uma virose, com febre e mau estar. Por isso, admito que pode ter havido uma desvalorização inicial."

O cenário não deixa, por isso, de ser preocupante, até porque já provocou a morte de três pessoas e oito infetados, segundo os dados mais recentes da OMS. Nuno Alegria apela, no entanto, à "cautela".

"Dentro de um ou dois meses já ninguém se lembra", garante. "Depois da covid ficámos muito preocupados com o possível surgimento de uma doença nova, mas ao longo do tempo vão surgir muitas. Aliás, os vírus são muito mais do que nós".

O navio em questão esteve durante vários dias parado ao largo da cidade de Praia, em Cabo Verde, e recentemente, o governo espanhol anunciou as dentro de dias. Apesar da ilha se ter , sabe-se que pelo menos 14 espanhóis já estarão no arquipélago e que terão sido transferidos de avião, segundo o jornal . Também três holandeses já terão sido transferidos para os Países Baixos. Os restantes permanecem no cruzeiro, que deverá agora .

"Compreendo que os países queiram defender a sua população. Imaginemos que havia um caso em Cabo Verde, as autoridades seriam responsáveis pela morte ou doença de alguém", rematou.

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