Máscaras nas crianças, proibição de levar brinquedos, falta de professores. Escolas num caos

Máscaras nas crianças, proibição de levar brinquedos, falta de professores. Escolas num caos
Sónia Bento 15 de outubro

Fizemos um raio-x ao ensino: há escolas que recomendam o uso de máscara em miúdos com menos de 10 anos. Há estabelecimentos que proíbem os brinquedos de casa e continuam a faltar professores.

Sempre que chega à porta do infantário e deixa o filho André, que nem 2 anos tem, num berreiro, Andreia Gama fica inconsolável. Nunca entrou na escola, não conhece a sala, nem pode acalmar-lhe o choro. E não entende o motivo de as regras não serem iguais em todos os critérios de ensino. Dos três filhos (os outros têm 13 e 7 anos), só a escola do mais novo, por exemplo, faz visitas de estudo. “Nada é coerente. As crianças vão ver uma peça de teatro para bebês e depois os pais não podem entrar do infantário. Entrego o meu filho como uma mercadoria a uma cara diferente, de máscara. Ele resiste a largar o meu colo... Isto todos os dias custa muito”, desabafa esta mãe, de Setúbal.


“Uma criança muito pequena ativa o sistema de alerta sempre que está em locais estranhos e na presença de pessoas que não conhece, e são os pais que têm de fazer, caso, a entrega à educadora. Se ficar muito tempo em estado de alarme, sem uma figura de referência, isso dificulta o desenvolvimento emocional, cognitivo e imunitário da criança”, explica à SÁBADO a psicóloga Laura Sanches. Na semana passada, o grupo parlamentar do PAN levou à Assembleia da República uma iniciativa para que o Governo “diligencie junto da Direção-Geral da Saúde com vista à revisão com caráter de urgência” das atuais normas que “impedem a presença de pais e/ou mães junto das crianças, nos momentos de transição para os contextos educativos”. Para o PAN, estando Portugal numa fase de desconfinamento situado na zona verde da matriz de risco, “não se compreende a manutenção da restrição por parte da DGS”. A continuidade desta medida “causa enorme angústia nos pais/mães bem como sofrimento emocional às crianças, principalmente quando estas entram pela primeira vez num equipamento educativo onde não foram ainda associações de segurança e vinculação com as novas figuras de referência”.

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