NEWSLETTER EXCLUSIVA PARA ASSINANTES Para que não lhe escape nada, todos os meses o Diretor da SÁBADO faz um resumo sobre o que de melhor aconteceu no mês anterior.
Entre o sucesso e a obediência: a insustentável dualidade da Geração Z
A Newsletter O Melhor do Mês no seu e-mail
NEWSLETTER EXCLUSIVA PARA ASSINANTES Para que não lhe escape nada, todos os meses o Diretor da SÁBADO faz um resumo sobre o que de melhor aconteceu no mês anterior.
O estudo, feito com 23 mil pessoas em 29 países, incluindo Reino Unido, EUA, Brasil, Austrália e Índia, mostra diferenças geracionais claras nos papéis de género e um retrocesso na independência feminina.
Escrever no Dia Internacional da Mulher sobre um estudo que mostra regressão social nas gerações mais novas é, no mínimo, irónico. E o mais preocupante? Sabemos, pelo menos em parte, como chegámos até aqui. Ou talvez não, porque não consigo deixar de pensar na panóplia de influências que moldam a sociedade, fazendo-a, às vezes, andar para trás. E se é bonita a tendência de desligar o telefone à entrada da sala para estar com os amigos, já o resto é mais difícil de aceitar.
Um inquérito recente da Ipsos Global Advisor conclui que os homens da Geração Z são, em muitos aspetos, mais conservadores do que os seus avós, sugerindo uma renegociação complexa dos papéis de género na sociedade atual. A Ipsos, uma das maiores empresas mundiais de estudos de mercado, dedicada a analisar opinião pública, consumo e tendências sociais, revela uma ambiguidade notável entre os jovens: concordam que mulheres com carreiras de sucesso são mais atraentes, mas ao mesmo tempo acham que a esposa deve sempre obedecer ao marido e que a mulher nunca deve ser demasiado independente. Jovens, em que ficamos?
Vamos por partes. Para nos entendermos: a Geração Z, nascida entre 1997 e 2012, tem hoje entre 14 e 29 anos. Os Baby Boomers, os “avós”, nasceram no pós-Segunda Guerra e têm mais de 60 anos. Seria de esperar um maior conservadorismo, mas, curiosamente, demonstram maior abertura de pensamento do que os (atuais) jovens. Entre ambos, a Geração X sobreviveu à vida analógica sem perder a graça, e os Millennials, entre os 30 e os 40 e poucos anos, vivem entre problemas e propósito, tentando navegar no mundo contemporâneo. Depois, temos os nativos digitais, sempre com o telefone na mão, conectados 24/7. E isto explica muito do que se passa.
O estudo, feito com 23 mil pessoas em 29 países, incluindo Reino Unido, EUA, Brasil, Austrália e Índia, mostra diferenças geracionais claras nos papéis de género e um retrocesso na independência feminina. A Geração Z mantém expectativas tradicionais sobre o próprio comportamento: acredita que homens que cuidam de filhos são menos masculinos e que devem esforçar-se para parecer fisicamente fortes, numa masculinidade tóxica amplificada pelas redes sociais digitais.
Os números são claros: quase um terço (31%) dos jovens da Geração Z concorda que uma esposa deve sempre obedecer ao marido, e cerca de 33% dizem que o marido deve ter a palavra final nas decisões importantes do lar, quase o dobro dos observados entre os homens Baby Boomers (13–17%). Porquê esta regressão? Parte da explicação está na retórica online e nas pressões sociais, que desafiam a igualdade de género e reforçam normas tradicionais, muitas vezes de forma subtil e constante.
O contexto ajuda a compreender: a Geração Z cresceu num mundo permanentemente conectado, onde redes digitais, informação e comparação constante se sobrepõem à vida real. Esta exposição, somada à instabilidade económica, gera ansiedade, depressão e burnout elevados. No trabalho, a pressão por resultados imediatos e a falta de segurança traduzem-se em menor compromisso e redefinição do que significa responsabilidade profissional, num contexto muito desanimador.
Conheço os meus alunos e ensino há tempo suficiente para poder fazer comparações: nunca, como agora, foram tão inseguros e ansiosos, e o problema tem vindo a acentuar-se ao longo dos últimos 10 anos. O resultado é uma geração insegura, que se agarra a tudo, sem compreender o caminho que nos trouxe até aqui. Por favor, Geração Z: não queiram voltar atrás.
Entre o sucesso e a obediência: a insustentável dualidade da Geração Z
O estudo, feito com 23 mil pessoas em 29 países, incluindo Reino Unido, EUA, Brasil, Austrália e Índia, mostra diferenças geracionais claras nos papéis de género e um retrocesso na independência feminina.
O mundo virado, literalmente, do avesso e as redes sociais repletas de memes e piadas ao que está a acontecer. Faz-me lembrar um meme que diz que ‘a terapia ajuda mas fazer piadas com todas as desgraças que acontecem também é muito eficiente’.
Tal como os macacos, também rejeitamos sem razão. Afastamo-nos do que sentimos como diferente numa reacção primária, movida pelo medo de não pertencer, de não ser reconhecido, de ser excluído sem explicação.
Nós ainda sabemos e talvez consigamos reverter um contexto que se infiltrou de tal forma nas nossas vidas, mudando-as completamente. Se ainda não ouviram falar, Off February é a primeira iniciativa para desligar durante um mês.
Continuamos humanos, gregários, sociais, empáticos e ainda capazes de pensamento crítico (o resultado das eleições presidenciais é disso um bom exemplo) mas, para onde quer que olhemos multiplicam-se os exemplos e os relatos de como a tecnologia está a transformar a forma como vivemos e consequentemente as pessoas que (ainda) somos.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.