Como se chegava ao Algarve há 40 anos

Lucília Galha , Raquel Lito 21 de agosto de 2017

Os carros traziam pirâmides de carga no tejadilho, os vidros tinham de ir sempre abertos, parava-se em Canal Caveira para comer um cozido e tentava-se – sem muita sorte – passar as curvas das serras sem enjoar


A parte final acabava sempre com Rita a vomitar dentro do carro. Depois de mais de cinco horas de viagem, que por vezes passavam a sete, ultrapassar a serra de Monchique sem enjoar era quase impossível. O FIAT 128 formato carrinha ia apinhado de carga – as malas e a roupa seguiam no porta-bagagens; no tejadilho iam quatro ou cinco caixotes de cartão, com mercearia para pelo menos três semanas e uma espécie de forno portátil (que servia de torradeira e também dava para fazer assados). No banco da frente viajavam os pais e, atrás, entre os dois irmãos, Fernando e Rita, e várias almofadas, havia ainda uma televisão. Era um momento de grande tensão:

"Vais vomitar?", perguntava o pai.
"Ó pai, não sei!", respondia Rita.

Ninguém queria parar. A serra já era no Algarve e queriam chegar o mais cedo possível à praia Maria Luísa, em Albufeira. Além disso, se parassem demorariam outra meia hora a ultrapassar o camião que ficara para trás.

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