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Atriz luso-descendente acusa marido de partilhar deepfakes pornográficas com o seu rosto: "Violaste-me"

Luana Augusto
Luana Augusto 29 de março de 2026 às 17:42
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Collien Fernandes diz que o marido lhe confessou que foi ele quem durante vários anos andou a partilhar imagens pornográficas falsas suas nas redes sociais. A atriz descreve que Christian Ulmen criava contas falsas com o seu rosto para meter conversas com outros homens. Agora, apresentou uma queixa-crime.

Durante vários anos, Collien Fernandes, estrela da televisão alemã e luso-descendente, perguntou-se sempre quem é que se estaria a fazer passar por ela nas redes sociais e a espalhar fotografias pornográficas suas geradas pela inteligência artificial. Agora, a atriz veio a público revelar o suposto criminoso: segundo ela, trata-se de Christian Ulmen, o marido de quem se separou no ano passado.

Collien Fernandes discursa no palco da Rathausmarkt durante a manifestação contra a violência sexual contra as mulheres
Collien Fernandes discursa no palco da Rathausmarkt durante a manifestação contra a violência sexual contra as mulheres Marcus Brandt/picture-alliance/dpa/AP Images

Numa entrevista concedida à revista alemã Collien Fernandes, de 44 anos, afirmou que Ulman criou secretamente contas online em seu nome para publicar fotografias pornográficas falsas suas e iniciar conversas com outros homens. Segundo ela, foi o próprio ex-marido quem lhe confessou, no Natal de 2024, tais atos. "Durante anos, roubaram-me o meu corpo" e de repente percebi que um dos culpados era, aparentemente, "a pessoa que mais me era próxima". "Foi como receber a notícia de uma morte. Não conseguia falar, não conseguia chorar", recordou. "Violaste-me virtualmente."

A atriz contou, aliás, a versão da sua história a milhares de manifestantes que se encontravam reunidos na cidade de Hamburgo. "Estou aqui com um colete à prova de balas sob proteção policial porque alguns homens me querem matar", afirmou.

Confrontados com estas acusações, os advogados de Ulman, Christian Schertz e Simon Bergmann, negaram na sexta-feira as alegações e Ulman processou até a revista que divulgou a história. Ele jamais produziu e/ou distribuiu vídeos deepfake da senhora Fernandes ou de qualquer outra pessoa. Quaisquer alegações nesse sentido são falsas", disseram em declarações à .

As acusações acabaram, no entanto, por chocar a Alemanha, onde o casal era conhecimento como um dos mais proeminentes da indústria do entretenimento, e segundo o o caso foi até comparado ao de Gisèle Pelicot - a francesa que testemunhou publicamente em tribunal contra o ex-marido e dezenas de homens que a terão drogado e violado. Segundo revelou à emissora alemã ARD, a apresentadora de televisão acabou por apresentar queixa em Espanha, uma vez que nesse país as leis sobre a violência de género são mais rigorosas do que na Alemanha - um país que descreveu como sendo o "paraíso para os agressores".

Apesar da atriz acusar o ex-marido de tais atos, ainda não é claro se este tipo de ações foram levadas a cabo por ele. Para já, o que é dado como certo é que a atriz foi vítima de deepfakes sexuais geradas por inteligência artificial. Isto sabe-se até porque o material ainda se encontra disponível na Internet. Além disso, Fernandes também já havia falado sobre o assunto num documentário da ZDF, de 2024, intitulado de Deepfake porn: Digital abuse (Pornografia deepfake: abuso digital).

Em novembro de 2024, a atriz apresentou até uma queixa-crime na Alemanha contra pessoas desconhecidas - isto antes de Ulmen ter supostamente confessado tais atos. A queixa tinha sido arquivada em junho do ano passado por falta de pistas sobre quem teria criado as contas falsas, mas agora o Ministério Público decidiu reabrir a investigação, revela a BBC.

Com esta notícia, um grupo de 250 mulheres da área da política, negócios e cultura, decidiu criar uma lista de 10 "exigências" que querem que sejam aplicadas na Alemanha, nomeadamente a criminalização da produção e distribuição de deepfakes sexualizadas e divulgadas sem consentimento. Entre o grupo de assinantes encontra-se, por exemplo, a ministra do Trabalho alemã, Bärbel Bas, do partido de centro-esquerda SPD, o rapper Ikkimel e a ativista Luisa Neubauer. Enquanto isso, a ministra da Justiça, Stefanie Hubig, anunciou um plano que visa alterar a lei, de modo a que a criação e distribuição de deepfakes pornográficos passem a ser considerados crime. Neste caso, o projeto de lei propõe que o crime seja punível com até dois anos de prisão.

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