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Na sua nova autobiografia, "Kids, Wait Till You Hear This!", a atriz e cantora relata uma vida de drogas, festas e traumas, entre os sucessos e os fracassos.
É provável que a memória mais recente que tenha de Liza Minnelli seja de 2022, quando, sentada numa cadeira de rodas, subiu ao palco da 94ª cerimónia dos Óscares para apresentar, ao lado de Lady Gaga, o Óscar de Melhor Filme. O seu aspecto - dando voltas aos papéis, rindo nervosamente e esforçando-se para acertar nas deixas - dava a impressão de uma idosa frágil e desorientada, mas a sua versão da história difere das aparências.
Lady Gaga e Liza Minnelli nos Óscares apresentam Melhor FilmeAP Photo/Chris Pizzello
"Fui tratada terrivelmente numa das noites mais importantes da minha vida", disse, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera (aqui reproduzida pelo El Mundo), a propósito da sua nova autobiografia, Kids, Wait Till You Hear This!, escrita com os jornalistas Josh Getlin e Heidi Evans. Nesse ano, conta, "a Academia organizou uma homenagem ao 50º aniversário de Cabaret", o filme de 1972 que lhe granjeou o Óscar de Melhor Atriz. "No meio do caos habitual, inexplicavelmente ordenaram que usasse uma cadeira de rodas", relata, acrescentando que "a Lady Gaga era a minha co-apresentadora e disse que, se não obedecesse, não subiria ao palco".
Antes, revela ainda, a também atriz e cantora perguntou-lhe "o nome do filme que estava a ser homenageado", como quem quisesse testar a sua memória – "Como se eu fosse idiota", acrescenta. E remata: "Posso perdoá-los, mas nunca esquecerei. No caminho para casa, pensei: preciso de contar a minha verdade, toda a minha história."
É justamente isso o que faz na nova biografia
– cujo título se traduz para algo como "Miúdos, Esperem Até Ouvirem Isto!"– , editada em março nos EUA e no Reino Unido, em que traça a retrospetiva de toda a sua vida. Filha do realizador de sucesso da Era Dourada de Hollywood Vincente Minnelli e da icónica atriz Judy Garland, relembra uma infância passada entre "filhos de estrelas de cinema", como Humphrey Bogart, Lauren Bacall ou Fred Astaire, mas que também tinha o seu lado negro: "O nosso ambiente tinha a sua quota-parte de mortes trágicas, traições, casamentos desfeitos e suicídios", recorda.
"A vida com ela era um teatro do absurdo", diz Liza sobre Judy Garland. A história trágica da mãe – que se tornou numa estrela ainda adolescente, ao interpretar Dorothy Gale em O Feiticeiro de Oz (1939), e perdeu-se para o álcool e as drogas com o afundar precoce da sua carreira, morrendo aos 47 anos – repercutiu-se na filha: "Eu era apenas uma criança, com cinco anos, e ela confidenciou-me os seus medos e raivas, desabafou, tratou-me como uma psicanalista". Quando o filme do regresso, Assim Nasce Uma Estrela (1954), em que depositava todas as suas esperanças, fracassou, "ela nunca recuperou", conta, lembrando que, em diversas ocasiões, saiam "a correr do hotel para não pagar a conta" depois dos concertos.
Com a ajuda do pai, o seu "maior professor de representação", Minnelli chegou ao auge da carreira com Cabaret, mas revela que o seu "pesadelo começou no momento da estreia do filme": "As drogas, os comprimidos e o álcool" destruíram-na, conta, transformando-a, nas suas próprias palavras, numa "verdadeira réplica" da mãe. Procurou "desesperadamente por papéis fortes, explícitos ou vulneráveis", mas estes nunca vieram, conta: "Esperei e esperei por um guião. Mas o telefone nunca tocou."
Aparentemente sem filtros, Liza Minnelli relata episódios caricatos da sua vida na fama, como os jantares que dava "todos os sábados em Los Angeles", a que vinham "Madonna, Tarantino, Shirley MacLaine", e onde "a mesa estava repleta de frango frito do KFC", a sua "fraqueza secreta"; ou a vez em que ficou tão bêbada num bar em Nova Iorque que desmaiou na rua: "As pessoas passavam apressadas, evitavam-me ou passavam por cima de mim. Pensaram que eu era uma sem-abrigo ou, talvez, reconheceram-me. (...) Nunca me senti tão envergonhada."
Quando foi conhecer o papa João Paulo II, revela que, numa "entrevista inquisitorial", os seus assistentes perguntaram-lhe pelos seus divórcios, e que, quando se propôs a cantar para o papa, este lançou-lhe "um olhar enigmático", como quem dizia: "Porque é que eu haveria de querer uma coisa dessas?". Sobre os seus ex-maridos: "Descobri que um deles era gay, mas continuamos amigos. O último era um vigarista e um ladrão."
Quando ao seu mais famoso prometido, o célebre ator e comediante Peter Sellers, de quem esteve noiva mas com quem não se chegou a casar, diz que "sofria de esquizofrenia". "Fazia-me rir, bebíamos champanhe e ensaiávamos cenas dos seus filmes", revela, mas acrescenta que "a sua capacidade de interpretar tantas personagens imaginárias tornou-se o problema que nos separava: importunava-me falando como eles, perdia o controlo, gritava incontrolavelmente com vozes diferentes".
Ainda sem data de edição em Portugal,
Kids, Wait Till You Hear This! foi recebido positivamente pela crítica no Reino Unido, com o The Guardian a elogiar a "vitalidade e charme" e a "vulnerabilidade e candor" do texto, e o Daily Telegraph a chamar-lhe "um livro de memórias engraçado e generoso".
As confissões de Liza Minnelli: os vícios, os ex-maridos e a humilhação de Lady Gaga
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