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Ex-magnata pró-democracia Jimmy Lai vence recurso contra condenação em Hong Kong

Lusa 08:16
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A decisão representa uma vitória surpreendente para Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, atualmente com 78 anos.

O ex-magnata pró-democracia de Hong Kong Jimmy Lai ganhou o recurso contra uma condenação por fraude de 2022, poucos dias após ser condenado a 20 anos de prisão por conluio com o exterior e publicação sediciosa.

Foto AP/Kin Cheung, Arquivo

"Validamos os recursos, anulamos os veredictos e suspendemos as penas" no processo por fraude, declarou o juiz do Tribunal Superior de Hong Kong Jeremy Poon.

Lai não compareceu em tribunal, permanecendo detido.

A decisão representa uma vitória surpreendente para Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, atualmente com 78 anos.

O caso de fraude pelo qual foi condenado em 2022 teve origem numa disputa sobre um contrato de arrendamento e não estava relacionado com as acusações que enfrentava ao abrigo da lei de segurança nacional. Jimmy Lai tinha sido condenado neste caso a cinco anos e nove meses de prisão por um esquema "planeado, organizado e de vários anos", como qualificou na altura o juiz de primeira instância.

Durante o julgamento, a acusação argumentou que uma empresa de consultoria operada por Lai a título pessoal ocupava escritórios que o Apple Daily tinha arrendado para as operações de publicação e impressão do jornal. Lai foi condenado por violar os termos do contrato de arrendamento que o Apple Daily assinou com uma empresa estatal, o que a acusação caracterizou como fraude.

Os advogados de defesa argumentaram que o caso deveria ter sido tratado na esfera cível e não na criminal, acrescentando que a dimensão dos locais em causa era mínima.

O ex-executivo do Apple Daily Wong Wai-keung foi também acusado no mesmo caso e condenado a 21 meses de prisão.

Em 10 de fevereiro, um tribunal de Hong Kong condenou Jimmy Lai a 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa.

A sentença, proferida apesar da pressão externa, é a mais severa ao abrigo da lei de segurança nacional imposta pela China em 2020, após os protestos pró-democracia, por vezes violentos, que abalaram Hong Kong no ano anterior.

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