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Mau tempo: Risco de incêndios é maior nas zonas atingidas pela depressão Kristin

Num momento em que passa um mês da passagem da depressão Kristin o Centro de Estudos Florestais pede um “levantamento rigoroso” do impacto do comboio de tempestades que assolou a região.

O investigador Akli Benali alertou esta quinta-feira para o risco acrescido de incêndios no verão nos territórios da zona centro atingidos pela depressão Kristin, com milhões de árvores e vegetação florestal derrubadas, combustível ideal em tempo seca.

Imagem aérea de árvores derrubadas pela tempestade Kristin no Pinhal de Leiria na Marinha Grande
Imagem aérea de árvores derrubadas pela tempestade Kristin no Pinhal de Leiria na Marinha Grande PEDRO CASTANHEIRA E CUNHA/LUSA

Num momento em que passa um mês da passagem da depressão Kristin na zona centro, com destaque nas regiões de Leiria e pinhal interior, o investigador do Centro de Estudos Florestais pede um “levantamento rigoroso” do impacto do comboio de tempestades que assolou a região.

“Precisamos de saber a extensão geográfica e a magnitude, o impacto relativo das quedas das árvores”, alertou Akli Benali, salientando que é evidente uma “perda de biodiversidade”, que já se notou no impacto das chuvas das últimas semanas, porque já não há capacidade de absorção da água.

“Há dois perigos, o problema dos acessos florestais que têm de ser limpos e o impacto dentro dos povoamentos”, com pequenos conjuntos de árvores caídas em zonas de difícil acesso, que não é rentável retirar e que podem ser combustível para incêndios.

“Os acessos são um problema relativamente simples de resolver: o que é preciso é colocar máquinas no terreno e abrir caminho” e depois, “toda a biomassa que está a impedir a passagem é varrida para debaixo do tapete, para os limites dos caminhos”, explicou.

Depois de as máquinas abrirem esses acessos, “toda a manutenção da floresta passa a ser possível seja para este ou para os próximos verões”.

Contudo, o “outro perigo é toda a biomassa que caiu nos povoamentos florestais e estamos a aumentar a carga de combustível que pode ser um problema caso ocorra num incêndio”, alertou.

Por outro lado, as chuvas intensas recentes saturaram os solos e podem ser um risco acrescido.

“Se existir mais chuva na primavera, teremos outro risco, porque se mantém a água no solo e a vegetação terá depois radiação solar” essencial para o crescimento exponencial de novos matos.

“Tudo vai depender dos 'timings' da chuva e do calor, porque as plantas precisam de radiação solar, água no solo e nutrientes”, explicou.

No “ano passado tivemos uma época de incêndios muito complicada, porque houve chuva na primavera”, recordou Akli Benali, que defendeu um novo olhar para a gestão do território.

“Qualquer acontecimento drástico é sempre um bom momento e um bom catalisador para pensarmos nas coisas e agirmos de forma diferente”, considerou o investigador, que coloca a identificação dos proprietários como uma das prioridades da gestão florestal.

Além de afetar mais de um milhão de pessoas na região centro do país, com particular destaque para Leiria e Santarém, a depressão Kristin consumiu muitos equipamentos públicos e privados, demoliu e danificou casas e infraestruturas de comunicações e de eletricidade, destruindo milhões de árvores pelo caminho.

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