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China pede às séries televisivas que abandonem a “adoração da aparência”

O organismo apontou “maquilhagens excessivas” e o uso de figurinos e caracterizações desligados da personalidade das personagens ou dos contextos narrativos.

A Administração Nacional de Rádio e Televisão da China instou esta sexta-feira a indústria televisiva a erradicar a “adoração da aparência” e a avançar de um modelo centrado nas estrelas para outro “centrado no guião”.

A direção de séries do organismo promoveu um simpósio sobre “estética saudável” no âmbito dos dramas televisivos, no qual apelou ao abandono de tendências que privilegiam “a primazia da atratividade física” dos intérpretes, noticiou a agência noticiosa oficial China News Service.

A reunião sublinhou que as séries de televisão desempenham um papel relevante na transmissão de valores dominantes, na divulgação da cultura tradicional chinesa e na orientação do gosto estético do público, mas advertiu que persistem na indústria abordagens que colocam o aspeto físico “acima” de outros elementos.

Entre os problemas identificados, o organismo apontou “maquilhagens excessivas” e o uso de figurinos e caracterizações desligados da personalidade das personagens ou dos contextos narrativos.

Neste contexto, as autoridades defenderam que a procura do público “vai além da simples presença de atores atraentes”, incluindo histórias “cativantes” pelo seu conteúdo, carga emocional e capacidade de transmitir “densidade cultural”.

O regulador apelou a que as personagens “sejam de carne e osso, com calor humano e alma” e sublinhou que, na sua perspetiva, uma exigência básica é que “quem interpreta um papel seja credível nele”.

O organismo estatal pediu ainda que se evite tanto a primazia da aparência como a “dependência do tráfego” na Internet, numa alusão à popularidade digital de artistas e celebridades.

A China tem lançado, nos últimos anos, várias campanhas de correção no setor audiovisual, com medidas contra salários excessivos de estrelas, conteúdos inadequados e a promoção de determinadas tendências estéticas.

Em 2021, o organismo emitiu um conjunto de diretrizes destinadas a pôr fim à escolha de atores e convidados com “estética efeminada” e, em alternativa, promover “a cultura tradicional chinesa, revolucionária e socialista”.

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