Clara Almeida Santos admitiu que a peça jornalística entrou no ar sem ter sido revista pela editora, sendo que na reemissão a reportagem foi transmitida devidamente editada.
A provedora do telespectador da RTP, Clara Almeida Santos, afirmou esta segunda-feira que a parte retirada da reportagem da RTP que alegadamente criticava o Governo foi cortada porque "não acrescentava nada", tendo seguido para o ar sem ser editada.
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Clara Almeida Santos, em declarações à Lusa, à margem de um debate do International Club of Portugal, admitiu que a peça jornalística entrou no ar sem ter sido revista pela editora, sendo que na reemissão a reportagem foi transmitida devidamente editada.
"A peça entrou e depois foi considerada, quando ela entrou no ar, que aquele 'vox pop' daquela senhora não acrescentava de facto nada ao tema da reportagem", disse a provedora.
Em causa está uma reportagem da RTP transmitida no dia 30 de abril sobre a inflação, em que, no final da peça, uma senhora faz criticas ao Governo: "É tudo a comer, minha senhora. Os que estão no Governo, é tudo para o saco deles e os pobres cada vez mais pobres", ouvia-se na peça. A ocorrência foi inicialmente noticiada pelo Correio da Manhã no dia 09 de maio.
"Contactei o diretor de formação da RTP que me transmitiu que a jornalista que fez essa peça, por uma questão de tempo, sabe como é que é, estamos sempre em cima do arame, a peça não foi vista pela editora", transmitiu à Lusa a provedora do telespectador.
Clara Almeida Santos afastou a conotação de "censura" avançada pelo Correio da Manhã, e remeteu para uma "decisão editorial" a reemissão da reportagem sem a parte em questão.
"Aquele 'soundbite' não acrescentava nada e foi cortado por esse motivo, ou seja, se tivesse havido o cuidado que tem que haver na edição das peças, isso não teria acontecido [a peça não teria ido para o ar assim] (...) mas de facto foi uma decisão editorial", defendeu.
No sábado, o Expresso referiu que o Conselho de Redação da RTP pediu esclarecimentos à autora da peça, a jornalista Soraia Ramos, e ao diretor de informação da estação pública, Vítor Gonçalves, que "apresentaram versões contraditórias".
"Os membros eleitos do órgão retomarão assim o tema na próxima reunião de Conselho de Redação da RTP", acrescentou.
O Expresso disse que a direção de informação da RTP argumentou que "a afirmação em causa --- 'é tudo para o saco deles', visando de forma geral os políticos --- "não acrescentava informação relevante ao tema tratado" e que "a decisão de retirar esse excerto foi tomada 'após a jornalista responsável pela peça ter sido informada'".
Esta informação "foi contrariada pela repórter, Soraia Ramos, que garantiu não saber quem cortou a peça, nem deu a indicação nesse sentido", disse o jornal.
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