Sábado – Pense por si

Paula Cordeiro
Paula Cordeiro Especialista em comunicação
25 de maio de 2026 às 12:58

Insustentáveis cromos de (ou do) futebol

A caderneta Panini existe desde 1961. Sessenta e cinco anos depois, o modelo é o mesmo: compra-se a caderneta, abrem-se saquetas com cromos aleatórios, cola-se. A diferença é a escala.

Confesso: eu já não me lembrava das cadernetas de cromos e de como os cromos controlavam determinados momentos na nossa vida. Na escola era ver quem tinha mais cromos e quem acabava primeiro a coleção, nos intervalos comparávamos a caderneta e trocávamos cromos. Algumas cadernetas ajudavam-nos a aprender coisas sobre o mundo e a natureza, outras aproveitavam um evento global e viciavam-nos. Era um jogo, infantil e uma competição por vezes hostil. Eu nunca acabei nenhuma caderneta e, lá em casa, chegando a um determinado ponto em que só saíam cromos repetidos, perdia-se o entusiasmo e faziam-se contas à despesa. E era caro, especialmente porque, depois de completa, era substituída por outra, e colocada no fundo da gaveta. Uma proto-sociedade de consumo que influenciava pais através dos mais novos. Hoje, os adultos estão a fazer a coleção do Mundial, há encontros para troca de cromos e o papel ganha a atenção que o digital também tem.

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